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domingo, 9 de março de 2014

Manuscrito sefardita conhecido como Bíblia de Cervera‏







O manuscrito sefardita conhecido como Bíblia de Cervera, foi um daqueles patrimónios literários que sobreviveram às mais complicadas hecatombes e devastações levadas a cabo pelo homem, em nome de D´us.  
Testemunhou a destruição das comunidades judaicas em finais do século XIV, quando uma grave crise social, acompanhada de surtos de peste desencadeou uma vez mais o velho sentimento anti- judeu na Catalunha e em territórios da Coroa de Aragão. 





Bíblia de Cervera, págs. 444-5 (BNP).
Iluminura em dupla página, reproduzindo uma cidade medieval.





Falcoeiro e caçador.
(BNP)



Não era novidade que na Península ibérica, os judeus eram vistos como os responsáveis de todos os males, fossem eles económicos ou políticos, chovesse ou fizesse sol, originando as habituais perseguições e matanças, métodos esses, impregnados de fanatismo e motivados pela ignorância e inveja, que de casos esporádicos, passaram a ser quase constantes, pondo termo a uma era de coexistência mais ou menos tolerante entre cristãos, judeus e muçulmanos, culturalmente rica e florescente da expansão dos reinos cristãos no século XII.


Uma sucessão de acontecimentos que teve o seu "epílogo" mais trágico, aquando da expulsão de 1492 em Espanha e quatro anos mais tarde em Portugal. 





Unicórnios.
(BNP)








Bíblia de Cervera.
 Ramos de oliveira e o simbolismo a que está associado na produção do santo óleo para o menorah.
(BNP)





Detalhe de uma página do Devarim (Deuteronómio).
(BNP)





O profeta Jonas a ser engolido pela baleia.
(BNP)



A designada Bíblia (Tanach) de Cervera é um manuscrito ricamente iluminado, datado de 30 de Julho de 1299, aquando do início da obra, tendo sido concluída a 19 de Maio de 1300 em Cervera, província de Lérida, na Catalunha, e que se conserva actualmente na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.
Considerado uma obra única e das mais relevantes no panorama hebraico existente no nosso país, foi já peça central durante a exposição "Medieval Jewish Art in Context" no Metropolitan Museum of Art, de Novembro de 2011 a Janeiro de 2012.









(BNP)



Este manuscrito encontrava-se ainda no início do século XIX nos Países Baixos, para onde muitos judeus da nação portuguesa tinham emigrado durante o reinado de D. Manuel I de Portugal, e posteriormente  já por cristãos-novos, após o Massacre de Lisboa de 1506. 


Veio para  Portugal devido à acção de António Ribeiro dos Santos (1745-1818), Bibliotecário-Mor da Real Biblioteca Pública da Corte (fundada em 1796, hoje a Biblioteca Nacional de Portugal), que no ano de 1804 a adquiriu em Haia pela quantia de 240 mil reis.


Texto copiado por Samuel ben Abraham ibn Nathan e por Josué ben Abraham ibn Gaon para a "massorah", e iluminado por Joseph Asarfati, um judeu de origem francesa fixado em Castela, que assinou a sua obra mais de vinte vezes ao longo do livro. Exemplo magnífico e raro de um manuscrito hebraico da Idade Média com assinatura expressa do artista. 
O Tanach termina com o colofon do copista do texto religioso, seguido do colofon do iluminista, este último, em letras zoomórficas, no último fólio do códice (fl 449r).






Fontes: 
memoriadesefarad.blogspot.pt
montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.pt
quinalafem.blogspot.pt
bnportugal.pt
associazionecamoes.blogspot.pt