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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Está prevista a candidatura do "Kibbutz" como Património Mundial


Para quem passou pela experiência de ter vivido num kibbutz, de certo que ficará bastante contente com esta notícia.
 

(Galiza - Israel)

 

Yitzhak

Kibbutz Degania
 

 
Kibbutz Tzoraá`s
 
Bíblia de Cervera


    


Representação de um Menorah num códice hebraico do século XIII.
Conhecido por "Bíblia de Cervera", este belíssimo livro foi concluído entre 1299 e 1300, na Corunha, por um senhor chamado Joseph Asarfati.



Lisboa - Biblioteca Nacional

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A frase da semana



"A paz virá quando os árabes amarem os seus filhos tanto quanto nos odeiam". 



Golda Meir





segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Museu da Cidade



"Lisboa 1755. A cidade à beira do terramoto - reconstituição virtual da Lisboa pré-pombalina".

Termina a 31 de Dezembro



Os Abafadores 



Alguns autores referem-se à sua existência em Trás-os-Montes e Beiras, baseando-se numa tradição segundo a qual os judeus mandariam abafar os seus doentes que se encontrassem em estado terminal. Este método seria habitualmente utilizado entre os cristãos-novos durante a vigência da Inquisição, para evitar que o padre chegasse a tempo de ministrar o sacramento da extrema-unção, e que o moribundo, por inconsciência ou não, acabasse por denunciar qualquer prática judaica mantida no segredo da família.
Os abafadores seriam chamados ao leito do doente mal se concluísse que a morte estava próxima. O moribundo "era envolvido em cobertores e carregavam-lhe em cima até lhe darem morte por asfixia", diz José Leite de Vasconcelos na Etnografia Portuguesa.






sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Música sefardita






 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Efeméride


(23 de Dezembro de 1736)


Faz hoje 274 anos, que Ana de Castro, uma cristã-nova possivelmente com origem portuguesa, era executada na fogueira, acusada simplesmente por divulgar o judaísmo.
Foi ao que parece o último acto da inquisição no Peru.






Fonte: "Revista Morashá"

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A  frase da semana
 

"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem-ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons."

Martin Luther King



 
Processos inquisitoriais contra três cristãs-novas 





 



Maria Fernandes de Aguilar

Maria Fernandes de Aguilar nasceu provavelmente em 1611, declarando a 24.12.1664 ter 55 anos de idade. Presa nos cárceres da inquisição de Évora acusada de judaísmo.

Casou com Diogo Mexia, «o bonito», cristão-velho morador em Campo Maior.



Catarina Rodrigues Cacela

Catarina Rodrigues Cacela, nasceu em Campo Maior por volta de 1540, declarando em 1585 ter 45 anos de idade, onde foi baptizada pelo padre Vasco Gonçalves tendo por madrinha sua prima Leonor Rodrigues, e aí foi crismada. Presa nos cárceres da inquisição de Évora a 23.5.1585 acusada de judaísmo e condenada em auto de fé a 2.3.1586 a abjuração pública, cárcere e hábito penitencial perpétuo e instrução religiosa. A 27.3.1589 foi-lhe passado termo de ida(deportação) para onde lhe aprouvesse. O sumário do seu processo nos índices da Torre do Tombo refere que foi casada com João do Rego mas pela leitura do seu processo verifica-se que quem foi casada com João do Rego foi sua irmã Maria. Casou duas vezes: a 1ª com Fernão Rodrigues, cristão-novo de Coruche, criado do Rei, sem descendência; e a 2ª em 1585 em Santarém com Nicolau de Sousa, cristão-velho, sem descendência à data do processo.

Leonor Rodrigues Cacela

Leonor Rodrigues Cacela, nasceu em Campo Maior por volta de 1540, declarando em 1585 ter 45 anos de idade, onde foi baptizada, segundo declara e lhe parece pelo padre Lourenço do Rego Vasco Gonçalves tendo por madrinha Inês Fernandes, já falecida em 1585, e aí foi crismada pelo bispo D. Gomes. Presa nos cárceres da inquisição de Évora a 23.5.1585 acusada de judaísmo e condenada em auto de fé a 2.3.1586 a cárcere e hábito penitencial e arbítrio saiu em liberdade a 7.5.1586, declarando a sua genealogia a 6.12.1585. O sumário do seu processo nos índices da Torre do Tombo refere que foi casada com João do Rego mas pela leitura do seu processo verifica-se que quem foi casada com João do Rego foi sua irmã Maria. Casou com António Leitão, mercador, cristão-velho morador em Coruche, sem descendência.


 Arquivo da Torre do Tombo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A presença do judeu na arte em Portugal



Não é raro encontrar em alguns museus e monumentos de norte a sul do país a figura do judeu português, retratado na pintura ou, em escultura, com as suas vestes e barretes tão típicos. 

A maioria das vezes é uma representação exagerada e crítica deste povo, a arte não estava imune ao preconceito e à intolerância da época.
Felizmente que chegaram até aos nossos dias alguns bons exemplos dessas expressões artísticas.






" Judeu ". Óleo sobre madeira, oficina de Vasco Fernandes, primeira metade do século XVI. (Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa)

 

O Judeu nos Painéis de São Vicente. (Museu de Arte Antiga - Lisboa).




Figura de judeu. (Mosteiro de S. Vicente de Fora).







Kibbutz Afik - Montes Golan - Israel



hotel Kibbutz Country Lodging Afik



Um lugar lindo e maravilhoso para se visitar, um sítio único para viver, uma recordação que fica eternamente...
Afik é isto mesmo, um local rodeado de história, uma beleza natural e selvagem ainda bem preservada, uma experiência memorável.










"Time to cheat", cartoon de Henrique Monteiro






sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"Os judeus marafados"


Após a conquista definitiva do Algarve aos muçulmanos pelos exércitos de D. Afonso III (O Bolonhês), em 1249, este soberano terá ali encontrado uma população bem heterogénea, composta essencialmente por muçulmanos, moçárabes e judeus, e de facto, estes últimos já há muito viviam naquela região pertencente à província da Andaluz.
As suas comunas eram numerosas, e seus habitantes estavam mais ou menos bem inseridos no tecido social de localidades como Lagos, Alcoutim, Alvor, Silves, Loulé, Faro e Tavira.
Sobre Lagos, encontrei uma breve passagem da Chancelaria do rei D. Manuel sobre os judeus que viviam nesta localidade, e que passo a transcrever:


A Diogo de Sousa, Rendeiro del-rei e morador em Tavira, e a Sebastião Nunes e a outros, mercê da rua, que não das benfeitorias de casas feitas onde antes era a Judiaria.

Data - 3 de Janeiro de 1504



"Em tempo do rei D. João II havia tantos judeus que, por não caberem na Judiaria de Lagos, el-rei mandara que numa azinhaga, entre a judiaria e a cristandade, se fizesse rua pública de judiaria onde se recolhessem os judeus que fora viviam espalhados. E que os cristãos trocassem suas casas, que nessa rua tinham, com os judeus ou lhas vendessem. E depois que os ditos judeus foram cristãos, ele Diogo de Sousa, Sebastião Nunes e outros senhorios haviam cerrado as portas da judiaria e aberto outras por detrás, e tomaram a dita rua e fizeram nela casas. Gaspar Rodrigues a escreveu."





Chancelaria de D. Manuel I, livro 21




quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Curiosidades judaicas

 

 
Grupo de judeus numa xilogravura de 1483 com os típicos chapéus cónicos, um sinal obrigatório que todo o judeu devia usar, e que prevaleceu em Portugal nos barretes solenes da Universidade de Coimbra.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Inquisição: a estagnação do conhecimento




"Mandamos a todas as pessoas de qualquer estado e condição que sejam, em virtude de obediência e sob pena de excomunhão, que daqui em diante não tenham em seu poder, nem leiam pelos livros abaixo declarados sem nossa especial licença."



(Ordem do inquisidor-mor, Cardeal D. Henrique, 1551)






Com efeito, a castração da liberdade de expressão, e o impedimento por mais de 300 anos da livre circulação de ideias, gerou em Portugal um ambiente retrógrado e mesquinho, que infelizmente, ainda hoje se reflecte na nossa sociedade.



Os burgueses entram na aristocracia




"A princípio o burguês (referência a Isaac Abravanel) viveu em grande concórdia e brilhou muito na Corte do senhor rei D. Afonso V.

Este príncipe estimou-o muito por seus talentos políticos, e tornou-o seu 
conselheiro. Era tão grande a confiança que nele tinha, que não havia negócio
importante, sobretudo na guerra, em que não o ouvisse. Por isso, nomeou-o 
muitas vezes em altos cargos, e fê-lo nobre com muitas honras."



  (Ribeiro dos Santos - Notícias sobre D. Isaac Abravanel)
 





Isaac ben Judah ou Yitzchak ben Yehuda Abravanel


 

Ponta Delgada - Diário de Notícias - Ciência

Tesouro hebraico descoberto em Sinagoga 


por Paulo Faustino, 29 Novembro 2010








Historiador descobre património sobre comunidade judaica que se estabeleceu no País. Entre o material encontrado há documentos impressos e manuscritos
O historiador José de Almeida Mello descobriu um conjunto de objectos e documentos hebraicos na Sinagoga de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Açores, que podem estabelecer o património judaico deste templo como um dos mais antigos e ricos de Portugal.
Ao despejar o conteúdo de uma velha arca guardada naquela sinagoga, José Mello encontrou uma vasta panóplia de objectos. Entre os achados estão documentos impressos e manuscritos, pergaminhos cuidadosamente enrolados, pequenos livros de bolso, uma mão em madeira, saquetas tendo no seu interior fitas de cabedal e tábuas da lei, pequenos documentos colocados no interior de tubos de vidro selados e ainda tecidos utilizados no culto religioso.
"Estaremos perante um legado com peças que podem ser anteriores ao século XIX e que remontam aos primeiros tempos dos judeus nos Açores", explicou, informando que o verdadeiro significado do achado será estudado por técnicos oriundos da comunidade israelita de Lisboa.
O que encontrou foi como entrar na "máquina do tempo e recuar" alguns séculos, conta o historiador guardião da Sinagoga de Ponta Delgada, fundada em 1836.
A primeira comunidade judaica em Ponta Delgada surgiu após o regresso a Portugal dos judeus, expulsos pelo rei D. Manuel em 1497 - os que não saíram do País foram convertidos à força ao catolicismo. Os que regressaram trouxeram consigo textos sagrados e documentos manuscritos que terão ficado como legado dos judeus entretanto radicados em São Miguel, de 1819 por diante.
De qualquer modo, na sua opinião, o acervo descoberto por José Mello remete, directa ou indirectamente, para o culto religioso hebraico e para a Torá, a "bíblia" do judaísmo. O historiador informa que as outras sinagogas portuguesas mais antigas em Portugal (em Tomar e Castelo de Vide) não têm o mesmo espólio da de São Miguel, reforçando assim o seu valor no que diz respeito à cultura hebraica.
Para José Mello, foi recompensadora a experiência de salvar do lixo objectos com importância histórica, cultural e religiosa. Na verdade, o historiador sente estar face a uma descoberta que entende ser de "grande valor. Foi como mexer nos artefactos de um povo ausente e expulso de Portugal ao longo de séculos".
José de Almeida Mello está convencido de que o achado ajudará a compreender melhor a primeira comunidade judaica que se estabeleceu em Portugal, nomeadamente em Ponta Delgada. O património agora descoberto já foi mostrado ao embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol.
A Câmara Municipal de Ponta Delgada está a elaborar um projecto para recuperar o antigo templo judaico na ilha, actualmente em ruínas, e que incluirá a criação de um núcleo museológico. Nos Açores, são poucos os seguidores do judaísmo.




(Esta notícia foi-me enviada pelo amigo Marco Spínola, a quem agradeço desde já a sua especial atenção por estes temas).

Os sefarditas portugueses na Itália



As comunidades de judeus sefarditas na Itália, nos séculos XVI e XVII, eram compostas por alguns milhares de portugueses, cristãos-novos que se refugiaram em Itália, onde fundaram dinâmicas e até importantes comunidades em cidades como Veneza, Ferrara, Ancona, Florença e Roma. O curioso da questão, é que a maioria nunca perdeu a sua ligação com Portugal. 

Estes judeus, sobretudo depois da eleição do papa Paulo IV (1555), foram alvo de constantes perseguições. Os de Ancona, terão sido os que mais sofreram, havendo mesmo retaliações por parte dos portugueses que viviam na cidade contra as autoridades locais. Henrique Pires (Isaac Cohen) foi queimado em 1566, o seu filho - o poeta Diogo Pires, natural de Évora (1517-1599), teve que fugir para Dubrovnik (Rugosa), na actual Croácia, para não ser igualmente morto.





"Canzoniere" de Petrarca, Veneza, 1567


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um livro que recomendo


De Maria José Ferro Tavares, edição dos CTT




Uma recolha sobre os mais variados locais e sítios de Portugal, onde viveram judeus e cristãos, mas separados por barreiras religiosas, culturais e sociais demasiadamente grandes para se compreenderem mutuamente.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Curiosidades



Li algures num blogue dedicado aos cristãos-novos, que um senhor de nome David de Castro, terá sido o ilustre fundador dos Bombeiros do Panamá, e que este, tinha raízes portuguesas e judaicas da região de Trás-os-Montes.











A saborosa Alheira


Enchido tradicional fumado, cujos principais ingredientes são a carne e a gordura de porco, a carne de aves (galinha ou peru) e pão de trigo, o excelente azeite da região, e a banha, condimentados com sal, alho e colorau doce ou picante. Podem ainda ser usados como ingredientes a carne de animais de caça, a carne de vaca e o salpicão, ou o presunto envelhecidos.

Hoje nos hipermercados já se pode encontrar alheiras vegetarianas e de bacalhau, as minhas preferidas.

A origem histórica...


A alheira foi inventada pelos judeus como uma maneira ardilosa de enganarem os emissários do santo ofício, e assim, escaparem às perseguições.
 
Como no judaísmo não é permitido comer porco, as pessoas facilmente eram identificadas pelas autoridades, pelo simples facto de não fazerem os normais enchidos desta carne, levantando de imediato suspeitas de práticas judaizantes nos seus lares.
Em sua substituição, os judeus incluíram uma variada gama de carnes como a galinha, peru, pato e vitela.
Foi pela defesa das suas tradições mosaicas,  que os criptojudeus criaram, e ainda bem, este típico e saboroso  prato da gastronomia portuguesa.

sábado, 11 de dezembro de 2010

"Judae Mae" 


Era a designação atribuída pelos reis portugueses aos seus judeus, como se de uma propriedade real se tratassem. Isto a partir do reinado de D. Dinis, século XIV.


D. Dinis, 6.º Rei de Portugal




"És mesmo um judeu dos pregos !"


Ouvi esta frase pela primeira vez na região de Valpaços, há três anos atrás, e é nitidamente uma frase com um sentido desdenhoso e depreciativo, uma prova como o preconceito ainda está vivo na nossa cultura popular.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sugestão literária







"A História dos Judeus Portugueses"



O autor:





Carsten L. Wilke é doutor em Estudos Judaicos pela Universidade de Colónia e estudou na Escola Prática de Altos Estudos de Paris. Foi professor nas universidades de Heidelberg, Düsseldorf e Bruxelas, e é actualmente investigador no Instituto Steinheim de História Judaica Alemã, em Duisburg. Autor de numerosos livros e artigos, Carsten Wilke tem-se dedicado ao estudo das transformações vividas pelo judaísmo europeu, desde o criptojudaísmo do Renascimento ibérico até o modernismo rabínico do século XIX.




quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Figuras e factos



Adão Almiliby


Judeu português, que junto a Isaac Belamy foi nomeado responsável dos impostos reais em 1353, pelo rei D. Afonso IV, (O Bravo). Em virtude desta importante função, ambos foram dispensados de usar o emblema obrigatório nos judeus, bem como eram dotados de poder para impor a difícil cobrança dos costumes reais. Durante o seu mandato, os judeus em Portugal foram aliviados de tributos, excepto o imposto das portagens. 



(Enciclopédia judaica) 








terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Nomes de Judeus nas Chancelarias do séc. XIV


Eis alguns dos nomes típicamente judeus, nas Chancelarias dos reis ( D. Dinis a D. Fernando)



 Jacob de Leão, 1339, tendeiro de Beja
Salomão Beiçudo, 1340, vedor dos judeus, Lisboa
Abraão Pulgom, 1340, vedor dos judeus, Lisboa
Judas de Sevilha, 1341, ferreiro, Lisboa
Samuel Sotil, 1342, procurador dos judeus, Faro
Simão Mateus, 1362, ferreiro, Lisboa
Moisés Nafum, 1362, tabelião da comuna, Lisboa
Isaac Crespim, 1362, tabelião da comuna, Lisboa
Isaac Ben Gago, 1368, ferreiro, Lisboa
José Caseiro, 1368, lojista, Lisboa
Abraão de Touro, 1368. lojista, Lisboa
Judas de Beja, 1369, ferreiro, Arruda
José Guedelha, 1370, mercador
David Daiam, 1373, lojista, Lisboa
José Antonino, 1373, tendeiro, Lisboa
Abraão Franco, 1373, procurador do hospital de D Maria Aboim, Leiria
Abraão Gocea, 1374, moleiro, Tavira
Isaac Zaboca, 1374, tendeiro, Lisboa
Mail Francês, 1374, lojista, Lisboa
Faim Alcete, 1378, tendeiro, Faro
Levi, 1378, ferreiro, Coimbra
Lázaro Benefaçom, 1379, procurador da comuna, Lisboa
Isaac, 138o, calçador do rei
Jacob Nimam, 1380, ourives, Lisboa
José Gaam, 1380, ferreiro, Lisboa
Jacob de Mouhon, 1380, ourives, Lisboa
David Negro, 1381, almoxarife (das dízimas reais), Lisboa
Abraão Marcos, 1382, ferreiro, Santarém
Isaac Ruivo, 1382, tabelião, Elvas
Isaac Azerique, 1383, carniceiro, Santarém
Isaac Hezar, 1383, mercador, Lisboa



Rendeiros judeus dos Direitos Reais


Moisés Chaveirol, 1369, - ,(para todo o Reino)
Abraão Amado, 1369, Castelo Branco (C. B. e termos)
Salomão Negro, 1378, Lisboa, (todo o Reino)
Abraão Freire e seu irmão Fraire, 1378, Leiria
Moisés Pinto, 1380, (Montemor o Novo)
Guedelha Fraire, 1381, Torres Vedras
Abraão de Malina e Azequerim, 1381, Castelo Branco
Juça Alfaquim, 1382, Faro (rendeiro em 1383)
Faim Abeatar, 1382, Serpa
D. Caper de Leão, 1382, (Coimbra)
Isaque Zaboca, 1382, Lisboa (Álcacer e seus termos)
Abraão Alfarime, 1382, Monsaraz
Jacob Navarro, 1382, Sintra
Junça de Muro, 1382, (Porto, Gaia, Vila Nova)
Rabuçe Zabona e Moisés Leão, 1382, Évora (Vila Viçosa, Alandroal e termos)
Abraão Celama, 1382, Vila Franca
Moisés Preto, 1382, Montemor o Novo (Évora e termo)
Judas Alcaide, 1382, Montemor o Novo (Évora-Monte)
Moisés de Leão, 1383, Évora (Serpa e termo)
D. Juda Aben Menir (rabi.mor), 1383, todo o reino
David Adaroque, 1383, Lisboa (Vila Franca de Xira, etc.)
Abraão Azetri, 1383, Santarém
Bulhami SAMPAIO, 1383, Abrantes
Josepe Nafon, 1383, Portalegre
Abraão Cainom e Abraão Azis, 1383, Santarém
Abraão Beladeu e Juça Alfaquiz, 1383, Lisboa (Beira e Riba de Coa)
Rabi Santo, 1383, Mogadouro (trás os montes, entre Douro e Tamega)
Isaque Querido, 1383, Évora (Montemor o Novo)
Isaque Amigo, 1383, Estremoz 
Adão Almilibi, Isaque Belami (todo o reino)
Isaque Franco, Lisboa (Santarém)
Isaque Natais (Almada)



    Jacob Rodrigues Pereira




    Nasceu no ano de 1715  na localidade de Peniche, e faleceu na cidade de Paris em 1780. Tornou-se membro da Royal Society of London, em 1759, e também da Academia de Paris. Publicou "Observations Sur Les Sourd-Muets", em 1762.
    Seu pai chamava-se Magalhães Rodrigues Pereira, e era natural de Chacim, Macedo de Cavaleiros, a mãe, chamava-se Abigail Ribea Rodrigues, ambos com descendência judaica. Jacob nasceu em Peniche, onde existem referências toponímicas na Praça Rodrigues Pereira. Baptizado como Francisco António Rodrigues, a tão típica "camuflagem" de nomes contornaria os caminhos da  temível inquisição.
    Sentindo-se sempre inseguros em Portugal, a família rumou para Bordéus, onde já havia uma  grande comunidade judaica portuguesa. Nesta cidade, dedicou-se ao estudo da comunicação com e para surdos-mudos.
    Em Bordéus, deixou sua influência na toponímia, especificamente na Rue Rodrigues-Pereire, e em Paris, no Boulevard Pereire e numa estação do Metro perto dos Champs-Elysées. O Rei de França Luís XV, agraciou este português devido ao importante papel de pedagogo, de investigador e na benemerência social, atribuindo-lhe uma pensão generosa e vitalícia. Esta família teve em França grande influência em vários domínios, da política ao mundo das finanças, passando pela construção dos primeiros caminhos-de-ferro. Foram igualmente os donos e fundadores da Société du Crédit Mobilier.
    Nos finais do séc. XIX, a família Pereire converteu-se ao catolicismo, como forma de não serem mais incomodados pelos "simpáticos e sempre bem dispostos anti-semitas".
    Jacob Rodrigues Pereira foi sepultado no cemitério hebraico de La Villette, Paris, 
    e depois, transferido para o de Montmartre.



    Curiosidades   


     
    (Argozelo - Trás-os-Montes)
     



    Segundo os relatos das pessoas desta localidade transmontana, esta cruz colocada em plena rua, está situada onde em tempos havia um cemitério judeu.

     
    publicado por Trasmontesdepaisagens

    segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

      Para quem gosta e aprecia a nossa história...
     

     
     

     
    “Mercadores e gente de trato”
    Cátedra  de estudos alberto benveniste
     
     

    Curiosidade

     
     
    Sabe-se que desde o século X que existiram comunidades hebraicas dedicadas à agricultura, especialmente à vinha e ao olival, Coimbra foi um desses exemplos. Eis alguns dos nomes relacionados com estas duas actividades nas Beiras Interiores.

     
     
     
     
    Mendes, Cardoso, Costa, Caria, Pereira, Henriques, Cruz, Dias, Teles, Faleiro, Fazenda, Matos, Ribeiro, Baruch, Castro, Ergas, Falilho, Sarmento, Marcos, Mocatel, Querido, Primo, Cáceres, Silva, Domingos ou Domingues, Henriques, Vaz, Morão, Nunes, Gaspar, Pinho, Elias, Mesquita, Gomes, Baltazar, Vizinho, Caro, Grilo, Madeira, Flores, Ramalho, Oliveira, Ranito, Franco, Beijamim, Caldas, Janeiro, Costa, Mendes, Videira, Serrano, Levi, Cohen, Rodrigues, Froes, Antunes, Diogo, Fernandes, Benigno, Farelo, Fernandes, Linhares, Cid, Castro, Adida, Tovi, Soleima, Pavilha, Barrocas, Castelão, Mafalda, Justo, Amiel.

     

    domingo, 5 de dezembro de 2010

    Costumes de cristãos-novos nas tradições familiares


     


    Foi em 1997, que o Professor Eduardo Dias, professor da Universidade da Califórnia (UCLA), apresentou uma lista de perguntas e de costumes que podem indicar uma possível origem judaica de uma família. A lista original do Prof. Dias foi expandida e adaptada, mas é ainda bastante incompleta, pois não abrange todos os costumes possíveis. São apresentadas práticas possivelmente já esquecidas pelas tradições familiares no decorrer dos vários séculos.
    Foram quinhentos anos de obscurantismo e medo que toldaram gerações de cristãos-novos em Portugal. Muitos dos nossos costumes estão ainda directamente relacionados com a clandestinidade desse passado.
    Façam vocês mesmos uma comparação de tais práticas e ritos, com as tradições da vossa família, se possível com a ajuda dos familiares mais antigos que ainda tenham, (os pais, tios, avós, parentes afastados, etc).
    Sejam "detectives", perguntem e sejam minuciosos na vossa investigação, o baú da história de cada um de nós não foi definitivamente encerrado, cabe a mim e a ti abri-lo...





    spinning gold star

     

     


    Família

     



    Alguém, pai, avô, ou outro parente, já falou algo sobre a família ser de judeus ?
    Na cidade em que a família morava, há algum judeu ou comunidade judaica antiga ?
    Alguém da família fala/falava alguma língua desconhecida ? Parecida com o espanhol ou com o português arcaico ? Era totalmente desconhecida ?
    Algum parente evita ou evitava igrejas católicas ?
    As Igrejas, mesmo católicas, que os familiares frequentavam não tinham imagens ?
    As Igrejas tinham divisão, com local para os homens e local para as mulheres ficarem ?
    Qual a relação dos familiares com a igreja católica e com os membros do clero ? (uma relação de aversão, ironia, chacota, raiva, desprezo pode indicar origem judaica)
    Alguém da família participava de reuniões secretas, ou de encontros onde só homens ou só os pais podiam ir? Ou de algum grupo de oração secreto ?
    Os nomes bíblicos são/eram comuns entre os familiares ?



    Ritos Natalícios

     

     

    Colocar a cabeça de um galo em cima da porta do quarto onde o nascimento iria acontecer.
    Depois do nascimento, a mãe não deveria descobrir-se ou mudar de roupas durante 30 dias. Ela deveria permanecer em repouso em sua cama, e afastada do contato com outras pessoas, pois segundo a Lei, a mulher fica impura durante vários dias após um parto (Levítico). Parecida com esta prática é a de afastar-se do contacto com o esposo no período menstrual, em que também é considerada impura (Levítico).
    Ainda durante esses trinta dias, a mulher só comia frango, de manhã, de tarde e de noite. Dava “sustância”, força para a recuperação.
    Lançar uma moeda prateada na primeira água de banho do bébé.
    Dizer uma oração oito dias depois de nascimento na qual o nome do bébé é citado.
    Realizar a circuncisão ou mesmo baptizar o menino ao oitavo dia de nascido.
    Acender alguma vela ou lamparina no quarto onde o parto ia acontecer, porque o menino não podia ficar no escuro até ser baptizado (ou circuncidado).
    Logo após o baptismo, raspar o óleo da crisma e colocar sal na boca da criança.



    Ritos Matrimoniais

     

     

    Os noivos e seus padrinhos e madrinhas deveriam jejuar no dia do casamento.
    Na cerimônia, as mãos dos noivos eram envoltas por um pano branco, enquanto fazia-se uma oração.
    Da cerimônia seguia-se uma refeição leve: vinho, ervas, mel, sal e pão sem fermento.
    Noivo e noiva comiam e tomavam do mesmo prato e copo.



    Refeições

     

     

    A prática de jejuns era comum.
    Era proibido comer carne com sangue. Às vezes também se retiravam os nervos, com uma faca especial para tal.
    O sangue caído ao chão no abate do animal era coberto com terra ou mesmo propositalmente derramado todo ao chão e depois coberto com terra.
    A faca usada no abate de animais para consumo era testada na unha.
    Ovos com mancha de sangue eram jogados fora.
    Não se comia carne de porco, pois é considerada impura.
    Não era permitido cozinhar carne e leite juntos. Ás vezes esperava-se um certo tempo entre a ingestão do leite e da carne.
    Comia-se apenas comida preparada pela mãe ou pela avó materna.
    Um menino deveria jejuar durante 24 horas antes de completar sete anos.
    Costumava-se beijar qualquer pedaço de pão que cai no chão.
    Era proibido comer carne de animal de sangue quente que não tivesse sido sangrado.
    Havia certas restrições quanto aos tipos de peixe comestíveis: os peixes “de couro” (sem escamas) não serviam para consumo, e às vezes só os peixes do mar podiam ser ingeridos. Moluscos e mariscos também eram proibidos.



    Costumes

     

     

    Acender velas nas sextas-feiras à noite.
    Celebrar a Páscoa, e jejuar durante a Semana Santa. As datas da Páscoa Cristã e da Páscoa judaica frequentemente coincidem.
    Limpar a casa nas sextas-feiras durante o dia.
    Era proibido fazer qualquer coisa na sexta-feira à noite (até mesmo lavagem de cabelo).
    Realizar alguma reunião familiar nas sextas-feiras à noite.
    Aos sábados, velas eram acesas diante do oratório e deveriam queimar até o fim do dia.
    Havia roupas especiais para o sábado. Às vezes eram simplesmente roupas novas ou roupas limpas.
    Dizeres comuns: “O Sábado é o dia da glória”, ou “Deus te crie” (Hayim Tovim), para quando alguém espirrava.
    Comemorações diferentes das católicas, como o “Dia Puro” (Yom Kippur) ou algum feriado de Primavera. Era costume de alguns acender no Natal oito velas.
    Em imitação a alguns personagens bíblicos, quando acontecia algo importante, rasgavam-se as vestes.
    Um costume ainda muito comum hoje em dia era varrer o chão longe da porta, ou varrer a casa de fora pra dentro, com a crença de que se o contrário fosse feito as visitas não voltariam mais. Na verdade esta prática está ligada ao respeito pela Mezuzah, que era pendurada nos portais de entrada, e passar o lixo por ela seria um sacrilégio.
    Ao abençoar um filho, neto ou sobrinho, costumava-se fazer com a mão sobre a cabeça.
    Como o dia judaico começa na noite do dia anterior, o início de um dia era marcado pelo despontar da primeira estrela no céu. Assim o sábado (dia de celebração nas casas judaicas), começava com o despontar da primeira estrela no céu da sexta-feira. Se uma pessoa demonstrasse alguma reação publicamente com relação a tal estrela, ela seria alvo de suspeitas. Um adulto consegue conter-se, mas uma criança não. Então ensinava-se às crianças a lenda de que apontar estrelas fazia crescer verrugas nos dedos.
    Os primeiros frutos eram deitados fora, lembrando a dízima aos sacerdotes do Templo.
    Quatro homens não se cumprimentam estendendo as mãos ao mesmo tempo, dá azar, pois forma uma cruz. O mesmo se passa com facas cruzadas na mesa.
    Cortar as unhas ou o cabelo à sexta-feira é mau presságio.



    Ritos Fúnebres

     

     

    Cobrir todos os espelhos da casa.
    Toda a água da casa do defunto era jogada fora.
    Cortar as unhas do defunto (ou pelo menos um par delas) como também alguns fios de cabelo e envolver tudo em um pedaço de papel ou pano.
    Lavar o corpo com água trazida da fonte em um recipiente novo, que nunca tenha sido usado, e vestir o corpo em roupas brancas, as mortalhas.
    O corpo era velado durante um dia, e então uma procissão levava-o à igreja e de lá ao cemitério.
    A casa então era lavada.
    Durante uma semana manter-se-ia o quarto do finado iluminado.
    A casa da família enlutada fechada ao máximo, durante uma semana, com incenso queimando pelos cômodos. Quase ninguém entrava ou saía durante esse período.
    Os homens não se barbeavam durante trinta dias.
    Manter o lugar do defunto à mesa, encher o prato dele ou dela e dar a comida a um mendigo.
    Não comer carne durante uma semana depois de uma morte na família.
    Jejuar no terceiro e oitavo dia e uma vez a cada três meses durante um ano.
    Convidar um mendigo para comer e servir a comida que o morto mais gostava.
    Colocar comida perto da cama do defunto.
    Fazer a cama do defunto com linho fresco e queimar uma luz perto dela durante um ano.
    As parentes mulheres deveriam cobrir suas cabeças e esconder as faces com uma manta.
    Ir para o quarto do defunto por oito dias e dizer: "Que Deus te dê um boa noite. Você foi uma vez como nós, nós seremos como você ".
    Passar uma moeda de ouro ou prata em cima da boca do defunto, e então dá-la a um mendigo.
    Passar um pedaço de pão em cima dos olhos do defunto e dá-lo a um mendigo.
    Dar esmolas em toda esquina antes da procissão funerária chegar ao cemitério.
    Dar pelo menos para um mendigo um terno completo e comida aos Sábados durante um ano.
    Ter várias luzes iluminando em véspera de Dia Puro, em memória do defunto.
    Em algumas povoações, principalmente nas aldeias da Beira Alta e Trás-os-Montes, havia o chamado “abafador”, que deveria ajudar alguém gravemente doente a ir embora antes que um médico viesse examiná-lo e descobrisse que o enfermo é judeu. O abafador, a portas fechadas, sufocava o doente, proferindo calmamente a frase “Vamos, meu filho, Nosso Senhor está esperando !”. Feito o trabalho, o corpo era recomposto e o abafador saía para dar a notícia aos parentes: “ele (a) se foi como um passarinho...”.



    Objectos

     

     

    Estrela de David (estrela de 6 pontas), usada em paredes e em jóias, algumas vezes era vista como amuleto.
    Em Portugal é muita vezes designado por "Sino Saimão", adulteração de Selo de Salomão.
    Gravuras cruciformes junto às casas, como sinal da nova e dedicada conversão ao cristianismo.