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domingo, 31 de agosto de 2014

Um tema conturbado: a espionagem dos judeus relativa ao Oceano Índico




Um tema conturbado: a espionagem dos judeus relativa ao Oceano Índico, no contexto dos Impérios Português e Otomano (século XVI). Alguns casos paradigmáticos[1]






José Alberto Rodrigues da Silva Tavim
Departamento de Ciências Humanas
do Instituto de Investigação Científica Tropical




O Império Otomano foi, desde o início do século XVI, um dos destinos preferidos dos judeus expulsos de Espanha em 1492, e de Portugal em 1496, impondo-se aí como especialistas em vários domínios, da economia às actividades técnicas, e como conselheiros políticos e financeiros. O período com que lidamos é considerado a “Idade Dourada” pela consciência histórica otomana da Era posterior ao sultão Suleyman I, “O Magnífico”(1520-1566)[2], embora abarcando também o governo de Selim II (1566-1574). Era o tempo do Império “na sua grandeza”, para usar as palavras de Gilles Veinstein, incluindo a conquista de Adem (1538)[3] e de Bassorá em 1548, que davam acesso directo ao Oceano Índico, sendo construídos nesta última urbe os segundos mais importantes estaleiros do Império[4]. Como salientou o professor Halil Hinalcik, os portugueses evitavam normalmente o confronto com os Turcos, e não obstante a falhada expedição destes contra Diu em 1538, verificou-se um acréscimo do comércio das especiarias no Império Otomano[5]. Neste clima de tensão era necessário conhecer as intenções do “Outro” e, para evitar o confronto directo, a actividade de informação e sobretudo a espionagem tornaram-se essenciais.






Os judeus peninsulares que se deslocaram para o Médio Oriente eram no mínimo bilingues – muitos deles conheciam o Turco e o Espanhol ou o Português. Muitos eram hábeis conhecedores das línguas ibéricas, do Árabe e de outras línguas internacionais. Tratava-se de uma necessidade quando muitos viviam do tráfico internacional, viajando de país para país, e possuíam membros da família espalhados por várias regiões, inclusivamente vivendo sob uma identidade cristã. Esta versatilidade – também porque conheciam bem os contextos sociais das terras por onde viajavam – fez com que se tornassem especialistas nos “assuntos de informação”. Embora se deva salientar que muitos cristãos (Católicos, Coptas, Arménios) eram também utilizados nestas redes informativas, os Judeus, devido à sua capacidade de dissimulação, eram em número considerável, mesmo naquelas dirigidas por importantes figuras do Mundo Católico.



De facto, não obstante os dramáticos momentos do período de Expulsão, observamos a presença de judeus ao serviço das autoridades portuguesas na Índia, desde os primeiros momentos da Expansão. É o caso de Gaspar da Gama ou Gaspar das Índias, um judeu com que Vasco da Gama contactou na sua primeira viagem à Índia, no regresso, na ilha de Anjediva, em 1498. Convertido ao cristianismo com o apelido de seu padrinho de baptismo, serviu também como intérprete de Pedro Álvares Cabral em 1500 e de informador de D. Francisco de Almeida em 1505[6].



Afonso de Albuquerque considerou Gaspar da Gama um judeu exemplar. Quando os judeus Francisco de Albuquerque e Alexandre de Ataíde, expulsos de Espanha, foram capturados próximo de Calecute, o vice-rei não deixou de lhes apontar como modelo a seguir o caso de Gaspar. E sabemos que, de facto, Francisco converteu-se ao Cristianismo logo em 1511, e Joseph em 1515. Devido aos seus conhecimentos, Afonso de Albuquerque obteve importantes informações acerca do poder naval e militar dos Mamelucos e do comércio no Índico Ocidental[7]. Mas estes primeiros casos revelam que a conversão ao Cristianismo era um indício fundamental de fiabilidade nos tempos próximos da Expulsão.



Isaac do Cairo é um bom exemplo de um judeu pertencente a um novo período de confiança num indivíduo independentemente da sua pertença social ou religiosa. Com a introdução do Santo Ofício em Portugal, em 1536, esperava-se controlar eficazmente o “problema da crença” dos cristãos-novos, e as visitas esporádicas e controladas de pessoas como Isaac do Cairo não indiciavam um grande temor de influência sobre aqueles. Por outro, a manutenção da sua identidade permitia uma melhor dissimulação, visto que viajavam por países onde mantinham familiares e amigos, e onde comunidades judaicas eram admitidas. As suas deambulações tornavam-se menos suspeitas.




Gravura de Lisboa dos finais do séc XVI, publicada num Atlas denominado "Civitates Orbis Terrarum", de Georg Braun e Franz Hogenberg.




D. João III de Portugal.



Entre 1535 e 1565, Isaac empreendeu no mínimo cinco viagens “por terra”, da Índia até Lisboa, enviado pelas autoridades portuguesas para informar D. João III e D. Sebastião sobre as intenções dos Turcos em relação ao Índico, visto que percorria locais estratégicos por eles controlados, como o Suez. Isaac tinha por vezes como companheiro outro judeu chamado Manasseh, o qual depois de visitar o Médio Oriente, devia regressar a Goa, também para informar as autoridades locais sobre as intenções Otomanas acerca do Índico e da Índia. De facto, o objectivo fundamental era manter os dois centros de poder – Lisboa e Goa – informados sobre as intenções dos Otomanos.



Também podemos observar uma articulação entre estas viagens realizadas por terra e algumas das navegações efectuadas pela Rota do Cabo. De facto, sabemos que D. João III esperava ansiosamente por estes informadores, para enviar instruções actualizadas através da Carreira da Índia. Maria Augusta Lima Cruz verificou também que algumas destas viagens estavam directamente relacionadas com outras previamente realizadas por terra, ou seja, com a urgência de manter informadas as autoridades portuguesas na Índia, acerca das “novas” trazidas por terra por homens como Isaac do Cairo, que não chegaram a Lisboa no tempo “normal” da partida da Carreira[8].



Esta maior complexidade do sistema de informação era uma resposta ao facto do inimigo avançar com as mesmas precauções. Uma das redes mais “produtivas” era aquela em que estavam integrados os Bicudos ou Becudos, judeus de Alepo ao serviço de Lourenço Pires de Távora, embaixador português em Roma: Isaac Bicudo transmitia informações sobre a política Otomana a partir de Alepo; e seu sobrinho Matias a partir do Cairo. O caso deste último é um bom exemplo da longevidade, adaptação e sobrevivência destes informadores, pois sabemos que entrou ao serviço de D. António, prior do Crato, em Marrocos, o qual ordenou a sua viagem a partir deste país até Istambul, com o objectivo de angariar mais um aliado para a sua causa contra Filipe II de Espanha e I de Portugal. Em 1583, o cronista Pedro de Frias diversifica a informação, dizendo que frei Matias Bicudo era um monge franciscano de S. Miguel, nos Açores, que fez uma viagem de Roma para Paris, para se juntar ao “rei” D. António. Pedro de Frias avança também que na Turquia Matias se transformara no “elche” (renegado muçulmano) Mustafa Bicudo[9]. Porquê não acreditar que Matias Bicudo assumiu todas estas diferentes identidades: uma vida que é um espelho da sua actividade como informador mas também da sua condição de membro de um grupo vivendo em situação social de marginalidade, num sentido negativo e positivo, viajando através de países inimigos?



De facto, temos para esta época outros bons exemplos desta forma de existência, e o facto de alguns destes indivíduos serem importantes personalidades, “morrendo em paz”, mostra que estamos longe da nossa Modernidade, em que espionagem é sinónimo de perigo, vida curta e má imagem social.



Um dos melhores exemplos é o do português João Micas, ou D. Joseph Nasci como judeu, pertencente à influente família dos Mendes-Benveniste, cujos membros mais eminentes fugiram de Portugal com receio das repercussões do estabelecimento da Inquisição. Ora, quer João Micas, quer sua tia Beatriz de Luna tiveram um papel importante no sistema informativo português antes da sua integração plena no Império Otomano. Por exemplo, em 1553, já estabelecida em Istambul, com o nome e a identidade judaica de D. Gracia Nasci, a “Senhora” - como era conhecida - enviou um feitor a D. Afonso de Lencastre, embaixador português em Roma, para que este fosse informado acerca do resgate de certos portugueses aprisionados próximo de Ormuz. Um ano depois também dispôs de um intermediário para informar o mesmo embaixador sobre as novas do Cairo e o resgate de portugueses cativos em Mascate.



Mas o mais implicado neste jogo informativo foi João Micas, D. Joseph Nasci após a sua entrada no Império Otomano, em 1554. Há provas que em 1553 João estava ao serviço de D. Afonso de Lencastre, o qual esperava que ele partisse para Alepo, para saber dos “assuntos da Índia”, mais propriamente sobre a frota que os Otomanos pretendiam lançar no Índico. Mas sem deixar a sua “eficiente” imagem de homem influente do Ocidente, ao integrar-se no Império Otomano, João Micas passou para o país acolhedor todas as suas capacidades, inclusive a de hábil informador. Aliás, não era essa posição que os sultões esperavam que ele ocupasse, como o seu “Ocidental”? Vimos que grandes senhores do Ocidente, como os embaixadores portugueses em Roma, não se escusavam a gerir redes de informação porque consideravam essa actividade tão louvável e necessária como outras, no contexto da preservação de Portugal e do Império. Porque é que este senhor judeu não deveria ocupar a mesma posição, ele que convivera com grandes senhores no Ocidente e era um perito nas relações internacionais? E além disso, desde 1566, D. Joseph foi mesmo equiparado a um senhor do Ocidente, pois foi-lhe outorgado o ducado de Naxos. Por outro lado, devido à sua rede de agentes, presentes nos Balcãs, na Itália, em França e na Polónia, tinha as melhores condições para montar uma rede de espionagem favorável ao Império Otomano. Conhecemos concretamente os seus informadores em Roma e Veneza. E também no Oriente: sabemos que conversos e judeus estabelecidos na Índia escreveram a D. Joseph para que este pressionasse Suleyman I a intervir no Oriente.



Neste contexto, a informação de Tomé Pegado da Paz é essencial. Tomé era filho de Duarte da Paz, um converso do Porto que fora agente duplo em Roma de D. João III e dos cristãos-novos. Expulso de Portugal em 1542, Duarte imigrou para Roma e daqui exilou-se em Istambul, onde continuou o jogo duplo, informando acerca das consequências do estabelecimento de conversos no Oriente. Seu filho Tomé devia informar as autoridades portuguesas sobre as intenções do sultão e D. Joseph em relação à Índia. Mas morrendo Duarte da Paz, Tomé, para sobreviver, entrou ao serviço de D. Joseph. Uma das primeiras missões que D. Joseph lhe incumbiu foi a prisão de Matias Bicudo, que aparecera em Istambul vestido como um turco, mas que ele sabia ser um informador ao serviço dos Portugueses. Tomé encontrou-o em Alepo, com a intenção de alcançar Ormuz, mas em vez de o prender, aconselhou-o a voltar a Alexandria e ao Cairo. Sabendo do facto, D. Joseph Nasci ordenou a sua prisão em Sofia. Tomé, porém, conseguiu alcançar Ragusa e daqui alcançar Roma, onde o embaixador João Gomes da Silva o compensou devido à informação transmitida acerca da comunicação dos judeus da Índia com D. Joseph. Mas a sua acção contra Matias Bicudo e a informação sobre Duarte da Paz revelam que D. Joseph tentava anular a rede inimiga.




Processo de Tomé Pegado da Paz - Arquivo Nacional da Torre do Tombo.



E D. Joseph ordenou a prisão de Tomé Pegado da Paz apenas porque receava que ele informasse as autoridades portuguesas acerca do que tinha ordenado contra  Portugal?



A resposta está em certa documentação do Arquivo General de Simancas, da década de setenta do século XVI, em que se verifica que Joseph Nasci manteve correspondência com Filipe II de Espanha, utilizando o nome cristão de João Micas ou o italianismo Giovanni Miches, aliciando o monarca com o regresso à Península, com sua fortuna e outras pessoas, e com a conversão ao Cristianismo. Neste contexto, a informação de Tomé Pegado da Paz não seria nada favorável aos seus propósitos.



O que levou Joseph Nasci a aproximar-se de novo de Filipe II de Espanha? O mais provável foi a astúcia do seu inimigo o grão-vizir Sokolli e do seu círculo, aliado de Veneza, ao contrário de Joseph, sempre mais próximo de Espanha. O nível desta pressão é atestado pelo facto de ser Sokolli e não Joseph a pessoa apontada para o desejado cargo de governador da ilha de Chipre, após a conquista otomana da ilha, em 1571. E a última carta de D. Joseph Nasci conservada em Simancas é de 1574. Nesse ano morre também o seu protector, o sultão Selim II. Com problemas financeiros e sem poder político de manobra, D. Joseph Nasci morre só, em 1579, na Sublime Porta, no seu palácio de Belvedere. Em suma, a sua política relativa ao Índico revela uma necessária dissimulação: ele intervinha, na sua posição de Ocidental ao serviço do Império Otomano. O seu passado e a sua posição social levaram-no também a servir como intermediário entre as autoridades otomanas e portuguesas e a recolher informações de judeus e conversos, mas de facto o sultão sempre teve reservas em lhe entregar a direcção de uma frota. D. Joseph Nasci devia servir as autoridades otomanas como servira as portuguesas: como espião ou, no primeiro caso, como dirigente de uma rede de informadores. A única possibilidade de parecer leal era mostrar às diferentes autoridades que pretendia permanecer no mundo em que se inseria[10].



Álvaro Mendes ou D. Salomon ibn Ya´ish, uma espécie de sucessor de D. Joseph Nasci, apresenta um percurso semelhante. Álvaro Mendes nasceu em Tavira, em 1520, e com cerca de 30 anos partiu para a Índia devido à sua perícia como ourives, para procurar e trabalhar pedras preciosas no reino hindu de Vijayanagar (conhecido nas fontes portuguesas como Bisnaga ou Narsinga). A atribuição régia do Hábito de Santiago, também em 1550, deve interpretar-se como um reconhecimento pela sua perícia. Por isso, foi também encarregue de construir o famoso arnês de D. Sebastião, embarcado para Portugal em 1566. Cerca de 1580 fugiu para Espanha, pois foi acusado de roubar algumas jóias pertencentes à Coroa. De Espanha fugiu para França e daqui alcançou Istambul – este último trajecto, segundo o nobre Estêvão Ferreira da Gama, devido ao facto de D. António ter sido também acolhido na corte francesa, e poder reclamar a fortuna de Álvaro Mendes, sob o pretexto de ser o verdadeiro herdeiro da Coroa Portuguesa. Embora documentação de 1581 revele que era bem acolhido na corte de Henrique III de França, decidiu encaminhar-se, por precaução, para Istambul, a partir de Veneza. Em Maio de 1585 encontrava-se em Salónica, esperando a autorização para entrar em Istambul, e transportando uma fortuna avultada. Em Julho de 1585, Guilherme de Sabóia informava que já se encontrava em Istambul, se tornara judeu e que era amigo dos principais do Serralho. Guilherme informava também que se devia temer as consequências da chegada de Álvaro Mendes ao Império Otomano, devido aos seus conhecimentos sobre a Índia.



Na verdade, o primeiro problema que Álvaro Mendes teve que enfrentar em Istambul foi a constante intervenção de D. António junto de Murad III para se apoderar da sua fortuna. Mas graças a familiares que tinha em Londres e à protecção da rainha Isabel I de Inglaterra conseguiu ultrapassar este dilema. De facto, D. Salomon ibn Ya`ish teve um importante papel nas relações diplomáticas entre a Inglaterra e o Império Otomano, o que explica os favores da rainha Isabel I e a acção benéfica de Murad III, que lhe concedeu o arrendamento das alfândegas, a ilha de Mitilene e a cidade de Tiberíades. Frequentava também o Serralho, pois como homem experiente do Ocidente era questionado sobre os pontos fracos de Espanha, inimigo principal do Império Otomano. E tal como D. Joseph era considerado, e considerava-se, um homem de elevado estatuto social. Por exemplo, a rainha Isabel de Inglaterra designava-o pela sua condição de Cavaleiro da Ordem de S. Tiago, ele anunciava-se “D. Sallomo”, e o seu servidor Juda Serfatim anunciava-o à corte inglesa como “Duc de Métilli et grand commercaire de sa Magesté”, embora a documentação turca não ateste tal facto. Contudo, as especiais outorgas de Murad III revelam que, tal como D. Joseph, D. Salomon era visto como o “Outro”, o Ocidental – uma pessoa cujo modo de vida tinha mais a ver com a Europa dos Habsburgos do que com aquele levado pelos judeus de Istambul.



Segundo o cronista Pedro de Frias, Álvaro Mendes também não deixou de pensar em Espanha como destino alternativo. Por isso tentou seduzir D. António, prior do Crato, para obter apoios na Índia, com o objectivo real de o entregar às autoridades espanholas. Contudo, até agora não possuímos provas que, tal como D. Joseph Nasci, liderasse uma rede informativa relacionada com o Índico. Pelo contrário, eles e os seus servidores Salomão Cormano e Juda Serfatim estavam mais interessados nos contactos e na informação entre a Inglaterra e o Império Otomano.[11].



De facto, a ascensão ao trono de Portugal de Filipe II de Espanha, em 1580, parece ter despoletado importantes repercussões em termos do que era agora fundamental em termos de guerra e de política informativa. A prova é que Matias Bicudo, outrora activo no Médio Oriente, entrou ao serviço de D. António, prior do Crato, no contexto do seu confronto diplomático com Filipe II de Espanha, falecendo em Marrocos, ao serviço daquele. A conjuntura de actuação do “sucessor” de D. Joseph tem muito a ver com esta nova situação: sobretudo após a batalha de Lepanto (1571), os diferentes interesses nas redes de informação reflectem que o mais urgente agora não era a questão da Expansão para Oriente mas do Mediterrâneo.



De facto, o maior inimigo de D. Salomon ibn Ya`ish neste período era David Passi – um homem do Mediterrâneo. David Passi era um mercador de Ragusa que passou para o Gueto de Veneza em 1573, onde vivia luxuosamente. Passou mais tarde para o Império Otomano e, segundo Lucien Wolf, teria sido investido em 1585 no ducado de Naxos[12]. Também em 1585 Bartolomeu Pusterla informava de Istambul sobre os rumores que corriam ali, em meios turcos e judaicos, acerca de David Passi: prometera às autoridades otomanas a abertura do caminho para as especiarias, pois havia grande necessidade delas no Império, se certo lugar na Índia fosse tomado. Então as especiarias afluiriam como antes. Contudo, acrescenta Pusterla, muitos consideravam Passi um louco[13]. Esta é mais uma prova que a “batalha” entre as famílias sefarditas para alcançar posições cimeiras no Império Otomano, mesmo em termos de serviços informativos, tinha agora como cenário fundamental o Mar Mediterrâneo.





 [1] Este texto baseia-se no original em Inglês, com apresentação no IVth Naval War History Seminar: The Indian Ocean and the presence of the Ottoman Navy in the 16th and 17th centuries, em Istambul,  22-24 de Outubro de 2008, onde o autor participou por convite dos organizadores.

[2] Veja-se Cemal Kafadar, “The Myth of the Golden Age Ottoman Historical Consciousness in the Post-Suleymanic Era”, in Suleyman the Second and his time, ed. Halil Inalcik e Cemal Kafadar, Istambul, The Isis Press, 1993, pp. 37-48.

[3] Gilles Veinstein, “L`empire dans sa grandeur (XVIe siècle), in Histoire de l`Empire Ottoman, dir. Robert Mantran, Paris, Fayard, 1989, pp. 159-226.

[4] Dejanirah Potache, “The commercial relation between Basrah and Goa in the sixteenth century”, in Stvdia, nº 48, 1998, pp. 145-161.

[5] Halil Inalcik, The Ottoman Empire. The Classical Age, 1300-1600, Londres, Phoenix, 1997, pp. 126-128.

[6] Sobre Gaspar da Gama leia-se, de Elias Lipiner, Gaspar da Gama: um converso na frota de Cabral, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1987.

[7] Sobre os judeus de Afonso de Albuquerque vide Jean Aubin, “Francisco de Albuquerque, un Juif au Service de l`Inde Portugaise (1500-1515)”, in Arquivos do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, Paris, F. Calouste Gulbenkian, vol. VII, 1973, pp. 175-202; e Elias Lipiner, op.cit., cap. X.

[8] Veja-se Maria Augusta Lima Cruz, “As Viagens extraordinárias pela Rota do Cabo (1505-1570)”, in A Carreira da Índia e as Rotas dos Estreitos. Actas do VIII Seminário Internacional de História Indo-Portuguesa, ed. de Artur Teodoro de Matos e Luís Filipe Thomaz, Angra do Heroísmo, 1998, pp. 581-596.
   Sobre Isaac do Cairo veja-se os nossos estudos “Os Judeus e a Expansão Portuguesa na Índia durante o século XVI. O exemplo de Isaac do Cairo: Espião, ´Língua` e ´Judeu de Cochim de Cima`”, in Arquivos do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, vol. XXXIII, 1994, pp. 137-260; e idem, “O intérprete judeu nos ´grandes espaços` do Oriente (século XVI): o triunfo do espião”, in Em Nome da Fé. Estudos in Memoriam de Elias Lipiner, org. de Nachman Falbel et. al., São Paulo, Editora Perspectiva, 1999, pp. 203-204.

[9] Pedro de Frias, Crónica d`el-rei D. António, ed. de Mário Alberto Nunes da Costa, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1955, p. 123.
[10] Vide Cecil Roth, The House of Nasi: The Duque of Naxos, Nova Iorque, Greenword Press, 1948; idem, Doña Gracia Nasi, trad. francesa de Claude Bonnafont, Paris, Liana Levi, 1990; P. Grunebaum-Ballin, Joseph Naci, duc de Naxos, Paris-Haia, Mouton, 1968; Herman Prins Salomon e Aron de Leone Leoni, “Mendes, Benveniste, de Luna, Micas, Nasci. The State of the Art (1532-1558)”, in The Jewish Quarterly Review, vol. LXXXVIII, nos 3-4, Janeiro-Abril de 1998, pp. 132-211; e José Alberto R. Silva Tavim, “O ´Aviso` anónimo sobre João Micas na Colecção de São Vicente”, in Anais de História de Além-Mar, nº V, 2004, pp. 253-258.
[11] Pedro de Frias, op. cit., p. 92.
    Sobre Álvaro Mendes veja-se Abraham Galante, D. Salomon Aben Yaèche duc de Mételin, Istambul, Société Anonyme de Papeterie et d`Imprimerie (Fratelli Haim), 1936.

[12] Lucien Wolf, “Jews in Elizabethan England”, in Transactions of the Jewish Historical Society of England, vol. XI, 1929, p. 26, nota 57.

[13] “Carta de Bartolome Pusterla”, Istambul, 12.VII.1585, in British Library, Additionals, 28415, fol. 380.