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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Judaísmo versus Cristianismo



 
Judaísmo e Cristianismo eram religiões inconciliáveis. O Deus uno e único da primeira não admitia a pluralidade cristã do mistério da Santíssima Trindade. (…) O antagonismo era, portanto, absoluto e não havia lugar para tréguas. Contra todos os modos, dos escritos às pregações se combateu a religião hebraica.
(…) E ao fanatismo de frades e clérigos se associou também este ou aquele prelado e a pena lúcida de alguns letrados. Fizeram-se contra os judeus muitas e gravíssimas acusações,  a maior parte delas  fantasiosas e infames:



- Tinham assassinado Jesus e Deus espalhara-os pelo mundo, para castigo exemplar do seu execrando crime;

- Crucificavam crianças cristãs em lembrança do assassínio e lambiam-lhes o sangue;

- Açoitavam imagens de Cristo e profanavam as hóstias consagradas;

- Tinham parentesco com o Diabo, e usavam de usura para humilhar empobrecer os cristãos; (…)

- Eram uma raça de traidores e apátridas, de idólatras e sodomitas, impura, intocável, cujo contacto punha em perigo a pureza dos costumes e a integridade da Fé. Esta era uma pequena parte do requisitório.



Assim se foi criando, ao longo de séculos, um tipo ideal de judeu intrinsecamente mau e fisicamente repugnante.




de Joel Serrão, "Dicionário de História de Portugal"




Curiosidade



A visão que os portugueses cristãos tinham sobre os judeus era de tal forma péssima, que as palavras da família de judeu ainda hoje têm um sentido negativo. Observem caros leitores:




Judeu
  1. indivíduo natural da Judeia;
  2. aquele que segue o judaísmo;
  3. pejorativo avarento;
  4. popular, pejorativo indivíduo materialista;
  5. popular, pejorativo indivíduo de má índole; indivíduo malvado.
Judia
  1. mulher natural da Judeia;
  2. a que segue o judaísmo;
  3. popular, pejorativo a que é avarenta, malvada ou materialista.

Judiar
  1. observar as leis e os costumes judaicos;
  2. discutir o custo, regatear;
  3. troçar, zombar;
  4. fazer maldades; praticar diabruras.
Judiaria
  1. fazer maldades; praticar diabruras;
  2. bairro dos judeus;
  3. troça; escárnio;
  4. maldade; diabrura; maus tratos.
Judas
  1. boneco de palha que se costuma queimar publicamente no Sábado de Aleluia;
  2. figurado traidor; falso amigo.

domingo, 29 de abril de 2012


"Existem três coroas: a coroa da sabedoria, a coroa do sacerdócio e a coroa da realeza. Mas a coroa de uma boa reputação excede todas essas."
                     

Pirkei Avot








O Rochedo e a Estrela - Trailer



A epopeia dos judeus ibéricos no Brasil







"A Boa Imagem", cartoon de Henrique Monteiro


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Shabat Shalom

 



Cátedra de Estudos Sefarditas
Alberto Benveniste - Ciclo 2012




Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, às quintas feiras, pelas 18.30h, de 17 de Maio a 14 de Junho

Abraham David (Hebrew University of Jerusalem); José Antonio Guillén Berrendero (Universidad Autónoma de Madrid- IULCE); Susana Bastos Mateus (Cátedra de Estudos Sefarditas “Alberto Benveniste”); Marco António Nunes da Silva (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia). 



17 de Maio: Abraham David (Hebrew University of Jerusalem)
The Nasi family and the Reconstruction of Tiberias in the second half of the 16th century
(sala 5.2.)

24 de Maio: José Antonio Guillén Berrendero (Universidad Autónoma de Madrid- IULCE)

Rodrigo Mendes da Silva: um genealogista cristão-novo na corte de Filipe IV em Madrid
(sala 5.1.)

31 de Maio: Susana Bastos Mateus (Cátedra de Estudos Sefarditas “Alberto Benveniste”)

Metamorfoses da fé: percursos e vivências de um cristão-novo português no Mediterrâneo quinhentista
(sala 5.2.)

14 de Junho: Marco António Nunes da Silva (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)

Disciplinar em nome de Deus, resistir pela vontade do homem. Heresia e liberdade na Inquisição portuguesa: estudos de caso
(Sala 5.2.)




Cátedra de Estudos Sefarditas
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade
1600-214 Lisboa
Telef. +351 21 792 00 00 (ext. 317)
geral@catedra-alberto-benveniste.org

terça-feira, 24 de abril de 2012

A frase da semana





"Os tolos só dizem o que ouvem dizer."



Bocage



Destaque literário



RAÍZES DOS JUDEUS EM PORTUGAL – Entre Godos e Sarracenos

À venda, a partir de hoje, dia 24 de Abril, na Feira do Livro em Lisboa (Parque Eduardo VII).






Breve história de presença judaica no território que viria a ser o Reino de Portugal e do seu legado para a nossa cultura.
As Raízes dos Judeus em Portugal são muito anteriores à formação da nossa nacionalidade.
Quando D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento do seu reino independente, em 1143, já viviam judeus na Península Ibérica há pelo menos um milénio.






de Inácio Steinhardt

Editora Vega – Colecção Sefarad – História – Formato 13 x 20 cm – 180 pág., - Brochado – Ano 2012 – 1ª edição – ISBN 978-972-699-805-1(do catálogo da editora):


Lugares de Portugal, com nomes mórbidos



Campa - (Paredes)
Campa do Preto - (Maia)
Enforca Cães - (Abrantes)
Fonte do Judeu Morto - (Castro Marim)
Mata Mouros - (Silves)
Matança - (Fornos de Algodres)
Mina da Caveira - (Grândola)
Monte da Forca - (Avis e Braga)



Fonte: "Almanaque do Sábado", ano de 2011 -  Caderno III

           

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Santa Investigação a Futuros Padres", cartoon de Henrique Monteiro



quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Massacre de Lisboa em 1506 






Lisboa, Convento de S. Domingos, 19 de Abril de 1506, domingo de Pascoela cristã, três horas da tarde. A peste assolava a capital desde Outubro do ano anterior, situação dramaticamente ampliada pela seca e pela fome. O rei D. Manuel I refugiara-se em Abrantes. As ruas exibiam os horrores da tragédia. O convento estava repleto de desesperados cristãos – velhos e novos – esperando um sinal divino que acudisse àqueles que não tinham posses ou condições de fuga. Constava que um milagre se manifestara no dia 15 desse mês naquele templo dominicano. A vontade de crer era demasiado forte para descrer em qualquer sinal, por pequeno ou inacreditável que fosse.
O sinal implorado com toda a convicção repetiu-se. Uma luz brilhou, incandescente, no crucifixo da capela da Igreja. Todos viram. Todos rejubilaram. Todos se sentiram recompensados pela crença profunda e sincera. Todos? Não. Na verdade, houve um que ousou duvidar da natureza divina da luz. Segundo ele, a luz provinha de uma das muitas candeias acesas naquele convento. Era um cristão-novo: heresia!
A situação criada com o baptismo forçado, em 1497, era explosiva. Qualquer sinal de hipotético judaísmo poderia gerar a animosidade cristã. Na verdade, cristão-novo – converso convicto ou não – permanecia eternamente judeu aos olhos da população maioritariamente cristã. Foi nesta conjuntura, favorável ao antijudaísmo, que o citado cristão-novo cometeu a imprevidência. Mal proferiu a contraproducente «blasfémia», o povo caiu sobre ele, arrastou-o para a rua e agrediu-o barbaramente até cair inanimado. Prostrado no Largo de S. Domingos, foi identificado pelo irmão, que se debruçou sobre o seu cadáver e gritou lancinantemente:




Uma das duas únicas gravuras sobreviventes ao Terramoto de Lisboa 1755 e ao incêndio da Torre do Tombo: “Von dem Christeliche – Streyt, kürtzlich geschehe – jm. M.CCCCC.vj Jar zu Lissbona – ein haubt stat in Portigal zwischen en christen und newen chri – sten oder juden, von wegen des gecreutzigisten [sic] got.” (Da Contenda Cristã, que recentemente teve lugar em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou judeus, por causa do Deus Crucificado”).


«Quem matou meu irmão?!». Acto contínuo, foi igualmente executado pela turba, que, de pronto, acendeu uma fogueira e queimou os dois infelizes cristãos-novos. Num clima de intolerância crescente, surgiu um frade que proferiu um inflamado sermão antijudaico, enquanto o povo se aglomerava em torno da «redentora» fogueira, aos quais se juntariam mais dois frades dominicanos, Frei João Mocho e Frei Bernardo, exibindo o crucifixo «milagreiro» e fazendo apelos sanguinários contra os judeus: «Heresia! Heresia! Destruam o povo abominável!…».



E assim se espalhou o povo pelas ruas de Lisboa, procurando cristãos-novos que passavam desprevenidos, forçando a entrada nas suas casas, capturando aqueles que se haviam recolhido nas igrejas, carregando mortos e vivos para as fogueiras que se acendiam na capital. Foram três dias de terror, pilhagem e carnificina, de que resultariam, de acordo com os cronistas coevos, entre dois e quatro mil mortos.
O cronista Damião de Góis relatou assim este horroroso episódio:
 
 
 
 
 
Damião de Góis
 

“A esta turma de maus homens e dos frades, que sem temor de Deus andavam pelas ruas, concitando o povo a esta tamanha crueldade, se ajuntaram mais de mil homens da terra, da qualidade dos outros, que todos juntos a segunda-feira continuaram nesta maldade com mor crueza e, por já nas ruas não acharem nenhuns cristãos-novos, foram cometer, com vaivéns e escadas, as casas em que viviam, ou onde sabiam que estavam e, tirando-os delas a rasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres e filhos, os lançavam, de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade e era tamanha a crueza que até nos meninos e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços e esborrachando-os de arremesso nas paredes”.


Embora tardiamente, o rei castigou duramente o povo de Lisboa: sentenciou os responsáveis pela chacina a penas corporais e à perda dos seus bens a favor da Coroa; mesmo os que não tivessem participado no massacre e no saque perderiam um quinto dos seus bens; suspendeu a eleição dos representantes da Casa dos Vinte Quatro e dos seus quatro representantes à vereação municipal lisboeta; retirou as honrarias da cidade; mandou executar cerca de meia centena de amotinados e os dois frades dominicanos, frei João Mocho e frei Bernardo, verdadeiros instigadores do massacre.


Commemorative plaque of the massacre of 4000 Jewish in Lisbon in 1506.


de Jorge Martins

(Historiador)


Via: "caminhosdamemoria"
 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Yom HaShoá



"O Homem, é o mais cruel dos animais."

Nietzsche



E porque haverá no homem uma tendência natural para que a memória aos poucos de dilua nas brumas do esquecimento, hoje e aqui, mais uma vez escrevo: Jamais Esquecer !!!



Combatentes da resistência judaica capturados pelas tropas das SS durante a revolta do gueto de Varsóvia.  Foto tirada em Varsóvia, na Polônia, entre 19 de abril e 16 de maio de 1943.


Combatentes da resistência judaica capturados pelas unidades das SS, durante o "Levantamento do Gueto de Varsóvia", Polónia, 19 de Abril a 16 de Maio de 1943. 


(Fotografia tirada em Varsóvia)


Chegada de um carregamento de judeus holandeses no gueto de Theresienstadt. Tchecoslováquia, fevereiro de 1944.


Foto da chegada de judeus holandeses ao Gueto de Theresienstadt, antiga Checoslováquia.
 Fevereiro de 1944.


Sinagoga utilizada como depósito dos pertences dos judeus deportados. Gueto de Szeged, Hungria, 1944.


Sinagoga utilizada como depósito dos pertences dos judeus deportados.
Gueto de Szeged, Hungria, 1944.



Fonte:  "US Holocaust Memorial Museum"



Ciclo Judaísmo - Abril 2012






Actividades da Superstitio

(com o apoio científico da área de Ciência das Religiões)

Ciclo Judaísmo

A Superstitio

vai realizar no mês de Abril algumas actividades relacionadas com a cultura Judaica pretendendo, desta forma, relembrar o massacre ocorrido em 1506 em Lisboa.
O programa é o seguinte:

Domingo, 22 de Abril

 

Visita por Lisboa passando pelos locais mais importantes ligados ao Judaísmo. Esta visita será guiada por:


Susana Bastos Mateus, licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2001), é, actualmente, bolseira de Doutoramento da FCT com o projecto de dissertação: "A comunidade sefardita de Lisboa (1480 - 1548)". Investigadora da Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste», foi bolseira do projecto de investigação «Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses - Corpo prosopográfico de mercadores e gente de trato» entre Março de 2003 e Abril de 2005. Foi também bolseira de investigação científica no projecto «Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses - Corpo prosopográfico de homens de cultura e de ciência».

15€ por pessoa.

Sábado, 28 de Abril

 

Leitura e análise do texto "O Cântico dos Cânticos" por:

Paulo Mendes Pinto, director da licenciatura em Ciência das Religiões na Un. Lusófona, tem desenvolvido os seus trabalhos no âmbito da mitologia e das religiões antigas. Tem-se também dedicado à reflexão sobre a relação entre a religião, a cidadania e as instituições democráticas, sendo autor de várias obras nessa temática. É director da Revista Lusófona de Ciência das Religiões e investigador da Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste» da Universidade de Lisboa.

Maria Manuela Gomes, licenciada e mestrada em Ciência das Religiões.


Entrada livre.
Judiarias de cá...





Assim disse ele...





"Sendo nós portugueses, convém saber
 o que é que somos."



Fernando Pessoa