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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Os Anussim portugueses em Amesterdão











 Sinagoga portuguesa de Amesterdão





Na última década do século XVI e nas primeiras décadas do século XVII algumas centenas de cristãos-novos portugueses (a que se juntaram depois alguns cristãos-novos espanhóis) procuraram Amesterdão para, beneficiando da atmosfera de tolerância religiosa que se vivia nas Províncias Unidas (recém libertas do domínio da coroa espanhola) regressarem à religião dos seus antepassados. Tinha decorrido um século desde a conversão em massa de todos os Judeus portugueses por D. Manuel I, quatro longas gerações, e daqueles que agora queriam regressar ao Judaísmo eram poucos os que conheciam os hábitos litúrgicos e as velhas tradições. Menor era ainda o número dos que conhecia a língua com que D-us falara aos profetas. Mas isso não os desencorajou. A sua comunidade, ao contrário de um propalado mito, nunca foi numerosa, e no auge do seu poder, nos finais do século XVII, eram apenas 2500. Mas sempre foram riquíssimos, poderosos e influentes, e não lhes faltavam meios para alcançar o grande objectivo a que se propunham: o renascimento da antiga e gloriosa Ha’am ha’yehudi portugezit, a «Nação Judaica Portuguesa», ou simplesmente a Ha’umah portugezit, a «Nação Portuguesa», como eles orgulhosamente e patrioticamente se designavam (ainda hoje, passados mais de 400 anos, os seus descendentes se designam como «Comunidade Religiosa dos Israelitas Portugueses», Portugees-Israëlitisch Kerkgenootschap (PIK).


Ansiosos por voltar ao judaísmo e dispostos a reaprender a lei mosaica, contratam o rabbi Mosheh Uri Halevi, um ashkenazi de Emden, na Baixa Saxónia, que exige de imediato a circuncisão de todos os homens… um sacrifício que os Homens da Nação farão para que a sua pequena comunidade possa renascer. O rabbi ficará com a comunidade até 1603, altura em que esta, já integralmente rejudaizada e autónoma, passa a formar os seus próprios rabbis.



A Nação Portuguesa de Amesterdão, apesar de ter estado quase um século proibida de observar a lei hebraica, rapidamente ganhou um excelente domínio do judaísmo rabínico, formando os seus próprios rabbis e os seus intelectuais versados no estudo do Tanach, tais como Manasseh ben Israel e Isaac Aboab da Fonseca, ou vultos com a dimensão de Baruch Espinosa (Uriel da Costa, apesar de ter um percurso diferente do dos anteriores, também se encontra ligado à Nação Portuguesa de Amesterdão). No seu todo a comunidade era muito activa do ponto de vista religioso e os conhecimentos da tradição judaica eram brilhantes.






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