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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os cristãos-novos e a crioulização na costa ocidental de África



 



Segundo o historiador Tobias Green, entre os séculos XVI e XVIII, o território continental dos Rios da Guiné e também as ilhas de Cabo Verde foram os centros de uma forte experiência de crioulização, como deixa evidente ainda hoje o desenvolvimento de uma língua crioula, geralmente tomada por especialistas no tema de crioulização como prova de uma singular mistura de culturas. Assim sendo, ele esclarece o papel dos cristãos-novos neste processo. Os documentos da época alegavam sempre que muitos dos europeus que se fixavam no território africano foram de facto cristãos-novos. Agora, com novas investigações em arquivos portugueses, espanhóis, italianos e holandeses, Tobias Green mostra com muita clareza o papel dos cristãos-novos portugueses neste processo; analisando as redes internacionais que estabeleceram, ligando África à América e Europa, e investigando as razões do especial sucesso que tiveram na região, argumenta que foi a sua fácil adaptação, oriunda das experiências que as suas famílias já haviam tido na Espanha e Portugal, que lhes deu a possibilidade de fazer parte integral da sociedade crioula de Cabo Verde e Guiné.



Tobias Green: Licenciado em filosofia pela Universidade de Cambridge (1996), doutor em Historia da Universidade de Birmingham (2006), Tobias Green faz actualmente investigações pós-doutorais na Universidade de Birmingham financiadas pela Academia Britânica. É autor de artigos publicados em jornais de estudos internacionais (History in Africa, Journal of Atlantic Studies), e de livros publicados na Inglaterra e França. É também autor duma nova história da Inquisição, publicada em 2007 pela Macmillan.