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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Iluminuras e manuscritos





Entre os danos irreparáveis que acarretou para Portugal o decreto de expulsão de 1496, um deles foi na saída do país de milhares de livros extraordinários, religiosos e não só, também no campo literário e cientifico, livros esses que simbolizavam um conhecimento único e moderno da época.


Contribuiu para o engrandecimento das artes a escola de iluminura hebraica de Lisboa no final do século XV, e a criação das primeiras tipografias em Portugal - Faro, Lisboa e Leiria.


Destaco aqui para alguns exemplos de iluminuras e manuscritos hebraicos que saíram de Portugal e Espanha, e que hoje integram o espólio de diversos museus, bibliotecas e colecções privadas em países como a Inglaterra, os Estados Unidos, a Suiça ou a Dinamarca.








Detalhe do Mishne Torah, de Moisés Maimónides.
Lisboa - 1472.

British Library, Londres





Bíblia de Lisboa  - O códice mais completo da Escola Medieval Portuguesa 
de Iluminuras Hebraicas. Completada em 1482.

British Library








Detalhe do "Guia para os Perplexos", Moisés Maimónides, 1348 Barcelona.

 Biblioteca Real de Copenhaga






Iluminura de um manuscrito da Haggadah.
Catalunha - Espanha - século XIV.





 Astronomia e calendário - França ou Espanha, século XV.

British Library





Comentário do Pentateuco, de Moisés ben Nahman , (Nachmanides) publicado por Eliezer Toledano.
Este exemplar foi impresso em Lisboa na segunda metade do século XV.

Biblioteca do Congresso - Estados Unidos da América







Este manuscrito refere-se ao "primeiro livro" impresso no continente africano
 sobre liturgia hebraica, e é quase uma cópia do "Abudrahan", publicado em Lisboa no ano de 1489.
O livro foi impresso por Samuel Nedivot e seu filho Isaac.
Após a sua expulsão de Portugal, ambos se estabeleceram em Fez, onde criaram uma oficina de impressão de livros.
Fez - Marrocos - 1516


Biblioteca do Congresso - Estados Unidos da América






A Península Ibérica ficou irremediavelmente mais pobre, enquanto que outras nações beneficiaram com este exílio forçado dos judeus peninsulares, engrandecendo as suas sociedades nos mais variados campos.




Fontes:

 www.filorbis.pt - Carlos Fontes
avodahpress.com
britishlibrary.typepad.co.uk
www.collectionscanada.gc.ca
www.jewishvirtuallibrary.org




Seminário Outubro - Novembro










quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Está quase









Estamos a poucos dias do Yom Kipur, o dia do perdão, considerado como o dia mais sagrado no calendário judaico. 
Neste dia faz-se jejum e realiza-se uma introspecção e auto-análise, durante o qual devemos assumir os nossos erros, desejando para nós e para os outros um ano mais positivo.

O Dia do Perdão começa com o ritual do Kol Nidrei*, a “anulação dos votos”, recitado ao pôr-do-sol antes das preces nocturnas. 
Essa oração introduz solenemente o dia mais sagrado do ano, dando o tom para Yom Kipur.


* Kol Nidrei significa “todos os votos”.







Kol Nidrei sefardita









Exposição de fotografia





João Serrão
Jorge Branco


Dia 3 de Outubro de 2014, pelas 17h00, no 
Museu Municipal de Tavira








Um trabalho fotográfico resultado de duas jornadas distintas entre Mértola e Marrocos. 

A exposição estará patente até dia 09 de Janeiro, de terça-feira a sábado, entre as 9h30-12h30 e as 14h00-17h30.








O mistério de Safed, de Tasha Locke





Safed é uma das quatro cidades sagradas de Israel. 
Considerada como o maior centro espiritual desde o século XVII, ali o misticismo judeu proliferou com os muitos cabalistas que viveram e estudaram na cidade.
Pitoresca devido às suas ruas estreitas, de muros antigos e sinagogas famosas, Safed é sem  dúvida um local único de tradição e cultura.











Via: Safed-Tzfat-Zefat




Orações dos marranos/cristãos-novos de Carção dos finais do século XVII






I


Ó alto Deus de Abraão,
Ó forte Deus de Israel!
Tu que ouviste a Daniel,
Ouve a minha oração.


Vós, Senhor, que vos pusestes
Lá em cima nas alturas,
Ouvi-me, a mim, pecador,
Que vos chamo das baixuras.


Pois a toda a criatura
Abristes o caminho da fonte,
Levantei ao céu meus olhos
Donde virá minha ajuda.


A minha ajuda virá
Do verdadeiro Senhor
Que fez o céu e a terra
E o mar e quanto há nela.




II

Ó meu Deus, governador!
Ouvi alto meu clamor,
Ouvi a minha oração
Que minha boca se não perca
Entregai-vos, Senhor, dela.
Não me metais em juízo
Pois tendes todo o poder.
Livrai-me da vossa ira
E tende-me de vossa mão.










Fernanda Guimarães e António Andrade, Carção – a capital do marranismo, 2008, pp. 57-58.





Fotografia retirada de: almocreve.blogs.sapo.pt