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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Curiosidade





Rua Nova


Numa qualquer deslocação que possam realizar a uma vila ou cidade histórica portuguesa, estejam sobretudo atentos aos nomes das ruas ou travessas das localidades por onde passam, na maioria dos casos, reveladores de interessantes episódios da história local, como: a Travessa da Amargura, a Rua dos Mercadores, etc.
Em relação à Rua Nova, esta revela-nos geralmente o apagar da memória de uma forma própria de viver e de entender o espaço, após o trágico decreto de 1496/97, decreto esse, que teve como objectivo a criação da unicidade religiosa em Portugal.
De notar, que a localização da placa toponímica "Rua Nova", está quase sempre associada a áreas onde existiram antigas judiarias.
Vejamos então alguns exemplos.




(Ex Rua Nova) - Tomar.
Fotografia de Rafael Alexandre.




Travessa da Rua Nova, situada na judiaria de Castelo Branco.
Fotografia de José da Conceição Afonso.
Abril  de 2009.

(Retirado do site do Centro de Documentação da Cátedra Alberto Benveniste).




Cidade de Estremoz, (Alentejo).
Localizada na antiga judiaria.
Fotografia de Carmen Balesteros Martins.




Rua Nova da judiaria de Vila Flor, (Trás-os-Montes).
Fotografia de Rafael Baptista.
Setembro de 2013.



Escola de Verão - Universidade Nova de Lisboa- Judeus, Inquisição e Diáspora: Perspectivas Religiosas e Culturais





Data e horário: 7 a 10 Julho das das 10h00 às 14h00, 14 a 16 de Julho das 12h00 às 14h00 e 17 de Julho das 11h00 às 14h00.

Docente(s): Florbela Veiga Frade, Alice Tavares, Carla Vieira e Sandra Neves Silva



Objectivos


Adquirir ferramentas de trabalho e orientações metodológicas para a realização de futuros trabalhos científicos;
Caracterizar as comunidades judaicas em Portugal na Idade Média;
Compreender a emergência da realidade cristã-nova;
Definir o funcionamento da Inquisição e suas repercussões nas comunidades sefarditas da Diáspora;
Entender a construção identitária das comunidades sefarditas;
Contextualizar o legado cultural judaico na Cultura Ocidental;
Determinar as linhas de diálogo com as novas ideias e práticas científicas;
Identificar os espaços de presença judaica na cidade de Lisboa.







Programa


7 de Julho – Judeus e Cristãos-Novos (docentes: Alice Tavares e Florbela Veiga Frade)
1ª Sessão – Os Judeus da Idade Média (1383/85-1496): quotidiano, legislação e Judeus de Corte.
2ª Sessão – O período da conversão (1496-1580): conversão geral, massacre de 1506, estabelecimento da Inquisição e seu funcionamento no tempo do Cardeal Infante D. Henrique.
8 de Julho – Inquisição (docentes: Sandra Neves Silva e Carla Vieira)
3ª Sessão – Os estilos da Inquisição Portuguesa (1580-1640): espaços, especificidades processuais, torturas, censura e índices expurgatórios.
4ª Sessão – Os processos inquisitoriais (1640-1821). Estudo de caso: a perseguição inquisitorial no Algarve (1558-1650).
9 de Julho – Diáspora (docentes: Florbela Veiga Frade e Carla Vieira)
5ª Sessão – A Diáspora (séculos XV-XVII): as comunidades sefarditas na Europa.
6ª Sessão – A Diáspora (séculos XVII-XVIII): as comunidades sefarditas na Europa e no Novo Mundo.
10 de Julho – Aspectos Culturais e Messianismo (docentes: Alice Tavares e Sandra Neves Silva)
7ª Sessão – Cultura Judaica na Idade Média: escolas de iluminura, polémicas religiosas e ilustres judeus portugueses.
8ª Sessão – Esperanças messiânicas e convivência com esferas quiliastas.
14 de Julho – Rejudaização (docente: Florbela Veiga Frade)
9ª Sessão – Os trilhos da rejudaização: livros de teor religioso, gramáticas hebraicas, parenética, heterodoxia, censura e o papel do Herem.
15 de Julho – Disseminação do pensamento científico (docente: Carla Vieira)
10ª Sessão – Os médicos e a Medicina: as relações entre médicos e outros escolares, difusão do pensamento científico e circulação de obras médicas.
16 de Julho – Fulgurações Místicas (docente: Sandra Neves Silva)
11ª Sessão – Tradição Hermético-Alquímica e Kabbalah.
17 de Julho – Lisboa Judaica, espaços e vivências (docente: Alice Tavares)
12ª Sessão – Visita à Lisboa judaica.


Bibliografia


Bodian, Miriam. Hebrews of the Portuguese Nation: Conversos and Community in Early Modern Amsterdam. Bloomington: Indiana University Press, 1997.
Paiva, José Pedro; Giuseppe Marcocci. História da Inquisição Portuguesa, 1536-1821. Lisboa: Esfera dos Livros, 2013.
Tavares, Maria José Pimenta Ferro. Os Judeus em Portugal no Século XV. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 1982.
Yerushalmi, Yosef Hayim. From Spanish Court to Italian Ghetto: Isaac Cardoso. A Study in Seventeenth-Century Marranism and Jewish Apologetics. Seattle/London: University of Washington Press, 1981.



Alice Tavares é doutorada em História, especialidade em História Medieval pela Universidade de Lisboa. Investigadora da Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste» (UL), do Centro de História da Universidade de Lisboa (CHUL) e do Instituto de Estudos Medievais (IEM – FCSH). Entre as suas publicações mais recentes contam-se trabalhos sobre os modos de vida das populações medievas, com base nos costumes e foros (regulamentos municipais de carácter consuetudinário e local) e os judeus sefarditas na Idade Média. Contacto: alice.tavares@gmail.com


Carla Vieira é doutora em História Moderna pela Universidade Nova de Lisboa (2013). Investigadora da Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste (FLUL) e do Centro de Estudos de Além-Mar (FCSH-UNL). Nos últimos anos, tem-se dedicado ao estudo da actuação inquisitorial no Algarve nos séculos XVI e XVII. Actualmente, o seu interesse foca-se nas relações culturais e científicas estabelecidas entre Lisboa e Londres na primeira metade do século XVIII e no papel desempenhado por judeus e cristãos-novos nesta dinâmica. É autora de vários artigos científicos e de comunicações apresentadas em congressos. Contacto:cccvieira@gmail.com


Florbela Veiga Frade é doutora em História Moderna (2007), investigadora integrada do CHAM e colaboradora no Centro de História da Cultura na FCSH-UNL. Tem desenvolvido estudos sobre as comunidades cristãs-novas e sefarditas espalhadas pelo mundo, nomeadamente de Portugal, Antuérpia, Amesterdão e Hamburgo nos séculos XVI e XVII. Nos últimos anos tem estudado a produção cultural, intelectual, religiosa e científica dos membros da “Nação Portuguesa de Hamburgo”. Possui vários trabalhos publicados e divulgados em colóquios internacionais em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Croácia, Estados Unidos e Israel.
Sandra Neves Silva é doutorada em História, na Universidade Nova de Lisboa, onde se encontra a finalizar a dissertação “Judaísmo, Erudição Científica e Divagações Profetizantes: Vida de Obra de Manuel Bocarro Francês e Rosales (c. 1588-1662?)”. Membro da Sefarad, Society for the Study for Sefardic Studies (Universidade Hebraica de Jerusalém) e Colaboradora do Centro História da Cultura (UNL), tem diversos artigos científicos publicados e comunicações apresentadas em Portugal e no estrangeiro.


© FCSH/NOVA 2014 Avenida de Berna, 26-C | 1069-061 Lisboa | Tel.: (+351) 21 790 83 00 | Fax: (+351) 21 790 83 08 | Ext. 1537.



(Enviado gentilmente por Margarida Castro)



http://verao.fcsh.unl.pt/cursos/Judeus%2c%20Inquisição%20e%20Diáspora%20Perspectivas%20Religiosas%20e%20Culturais.html







terça-feira, 13 de maio de 2014

Ache belo...







“Ache belo tudo o que puder. A maioria das pessoas não acha belo o suficiente.” 



Vincent Van Gogh



quinta-feira, 8 de maio de 2014

A frase da semana







“Espero alegre a saída e espero nunca voltar".



Frida Kahlo



António de Oliveira de Cadornega




António de Oliveira de Cadornega (Vila Viçosa, 1623/24 — Luanda, 1690) foi um militar e historiador português radicado em Angola.

Nasceu de uma família de cristãos-novos de Vila Viçosa, foi baptizado a 2 de Março de 1624.
Cadornega estudou juntamente com o seu irmão Manuel as disciplinas de português e latim nas aulas dos frades de Santo Agostinho. Com apenas 16 anos, ofereceu-se como voluntário para a vida militar, embarcando para Angola no mesmo navio que transportava o recém-nomeado governador-geral, Pedro César de Meneses.

Chegado a Luanda a 18 de Outubro de 1639, Cadornega assistiu à tomada da cidade pelos holandeses, refugiando-se no interior, na Vila da Vitória de Massangano, tal como a maioria da população branca da cidade. Colocado no Forte de Massangano durante 28 anos, Cadornega foi, em 1649, promovido a capitão, casando com a filha de Fernão Rodrigues, um dos primeiros povoadores de Luanda.





Frontispício do manuscrito da História geral das guerras 
angolanas de Cadornega, escrito em 1680.



A 1 de Janeiro de 1662, ocorreu em Portugal a detenção de sua mãe, Antónia Simões Correia e de sua irmã, Violante de Azevedo pelo Santo Ofício, ambas encarceradas nos Estaus, em Lisboa, sob a acusação de judaizantes. Tinham, na altura, respectivamente, 70 e 35 anos. 




Os Estaus, desenho de Luis Diferr, retirado do livro "Viagens de Lois - Portugal".




Reformando-se do exército, Cadornega foi nomeado juiz ordinário de Massangano, trocando correspondência com a rainha Jinga. António de Oliveira de Cadornega fez ainda parte do Senado da Câmara de Massangano e foi o primeiro provedor da Misericórdia da vila. Em 1669, mudou a sua residência para Luanda, onde foi vereador da Câmara, assinando papéis nessa qualidade ainda em 1685.


António de Oliveira de Cadornega faleceu em 1690 em Luanda.



Autodidacta, Cadornega deixou obra vasta e preciosa sobre a ocupação portuguesa de Angola nos séculos XVI e XVII, com destaque para a História Geral das Guerras Angolanas, em três volumes, concluída em 1681. As campanhas militares são o assunto principal da sua obra. Para a sua redacção consultou muitas testemunhas dos acontecimentos, especialmente nos missionários capuchinhos António de Gaeta e João António Cavazzi de Montecúccolo. A rainha Jinga, pela qual Cadornega esteve literalmente fascinado, é a personagem mais presente na sua história.

Cadornega forneceu elementos essenciais a numerosos historiadores actuais, designadamente C. R. Boxer1 , Beatrix Heintze2 3 4 , Gladwyn Murray Childs5 , John Thornton6 , entre outros. Cadornega inspirou, também, o escritor angolano Pepetela no seu romance A Gloriosa Família.





História geral das guerras angolanas - 1680, anot. e corrigido por José Matias Delgado, Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, 1972, 3 vols., Reprodução fac-similada da ed. de 1940
Descrição de Vila Viçosa, introd., proposta de leitura e notas de Heitor Gomes Teixeira, Lisboa, INCM, 1982




Referências:

Ir para cima ↑ Charles Ralph Boxer, "A 'História' de Cadornega no Museu Britânico", sep. da Revista Portuguesa de História, n.º 8, Coimbra, 1961, 12 pp.
Ir para cima ↑ Beatrix Heintze, "António de Oliveira de Cadornega e a sua 'História geral das guerras angolanas': um Historiador e Etnógrafo do Séc. XVII, natural de Vila Viçosa", trad. do Prof. Doutor Olívio Caeiro, in Callipole, n.º 3/4, 1995/1996, pp. 75-86
Ir para cima ↑ Beatrix Heintze, "António de Oliveira de Cadornegas Geschichtswerk über Angola. Eine außergewöhnliche Quelle des 17. Jahrhunderts", Capítulo 4.º de Beatrix Heintze, Studien zur Geschichte Angolas im 16. Und 17. Jahrhundert, Ein Lesebuch, Colónia, Rüdiger Köppe, 1996, pp. 48-58.
Ir para cima ↑ Beatrix Heintze, "A obra de António de Oliveira de Cadornega: uma fonte extraordinária para a História e Etnografia de Angola no século XVII", Capítulo 5.º de Beatrix Heintze, Angola nos séculos XVI e XVII. Estudos sobre Fontes, Métodos e História, Luanda: Kilombelombe 2007, 633 pp, pp. 133-161.
Ir para cima ↑ Gladwyn Murray Childs, "The Peoples of Angola in the Seventeenth Century According to Cadornega", in The Journal of African History, Vol. 1, n.º 2 (1960), pp. 271-279.
Ir para cima ↑ John K. Thornton, "The Art of War in Angola, 1575-1680, Comparative Studies" in Society and History, Vol. 30, N.º 2 (Abril 1988), pp. 360-378





(Enviado por Margarida Castro)