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terça-feira, 11 de março de 2014

Seminário




A Bíblia de Cervera: um manuscrito sefardita iluminado 
(1299-1300)
Seminário, dia 12 de Março, pelas 18h00  -  BNP

Entrada livre



(BNP)




Décimo primeiro encontro do ciclo de seminários "Um mês, um códice iluminado", iniciativa do Instituto de Estudos Medievais (IEM) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal.

A Bíblia hebraica da BNP, conhecida como Bíblia de Cervera (Il. 72), pela riqueza iconográfica e pela qualidade excepcional da sua iluminura, surge como um dos mais belos manuscritos sefarditas medievais iluminados, escrita para um certo Sasson, nos anos 1299/1300. É um dos raros códices hebraicos de que se conhece o nome de todos os seus protagonistas, desde o copista (Samuel ben Abraham ibn Nathan), ao iluminador (Joseph ha-Sarfati) até ao escriba responsável pela decoração massorética (Josué ben Abraham ibn Gaon).

Esta Bíblia influenciou outros manuscritos hebraicos, como a Bíblia Kennicott I (Oxford: Bodleian Library), de 1476, copiada em La Coruña para o judeu português Dom Salomão de Braga. A Bíblia de Cervera apresenta-se, pois, como um exemplo claro da arreigada tradição manuscrita e artística entre os judeus peninsulares, de que os portugueses não desmereceram, com a importante escola de iluminura hebraica em Lisboa no final do século XV. 

A apresentação estará a cargo de José Augusto Ramos, Luís Urbano Afonso e Tiago Moita (FL-UL).










Torniquete







A tômbola anda depressa,
Nem sei quando irá parar ---
Aonde, pouco me importa;
O importante é que pare...
--- A minha vida não cessa
De ser sempre a mesma porta
Eternamente a abanar...


Abriu-se agora o salão
Onde há gente a conversar.
Entrei sem hesitação ---
Somente o que se vai dar?
A meio da reunião,
Pela certa disparato,
Volvo a mim a todo o pano:


Às cambalhotas desato,
E salto sobre o piano...
--- Vai ser bonita a função!
Esfrangalho as partituras,
Quebro toda a caqueirada,
Arrebento à gargalhada,
E fujo pelo saguão...


Meses depois, as gazetas
Darão críticas completas,
Indecentes e patetas,
Da minha última obra...
E eu --- pra cama outra vez,
Curtindo febre e revés,
Tocado de Estrela e Cobra...



Mário de Sá-Carneiro



segunda-feira, 10 de março de 2014

Porta de Exijara




Arco de entrada para o antigo bairro judeu.

Porta de La Exijara, Ronda,
 Andaluzia - Espanha.






Fotografia de John e Lisa Merrill.
www.art.co.uk




domingo, 9 de março de 2014

A frase da semana







"Só os mortos conhecem o
 fim da guerra".



 Platão




Manuscrito sefardita conhecido como Bíblia de Cervera‏







O manuscrito sefardita conhecido como Bíblia de Cervera, foi um daqueles patrimónios literários que sobreviveram às mais complicadas hecatombes e devastações levadas a cabo pelo homem, em nome de D´us.  
Testemunhou a destruição das comunidades judaicas em finais do século XIV, quando uma grave crise social, acompanhada de surtos de peste desencadeou uma vez mais o velho sentimento anti- judeu na Catalunha e em territórios da Coroa de Aragão. 





Bíblia de Cervera, págs. 444-5 (BNP).
Iluminura em dupla página, reproduzindo uma cidade medieval.





Falcoeiro e caçador.
(BNP)



Não era novidade que na Península ibérica, os judeus eram vistos como os responsáveis de todos os males, fossem eles económicos ou políticos, chovesse ou fizesse sol, originando as habituais perseguições e matanças, métodos esses, impregnados de fanatismo e motivados pela ignorância e inveja, que de casos esporádicos, passaram a ser quase constantes, pondo termo a uma era de coexistência mais ou menos tolerante entre cristãos, judeus e muçulmanos, culturalmente rica e florescente da expansão dos reinos cristãos no século XII.


Uma sucessão de acontecimentos que teve o seu "epílogo" mais trágico, aquando da expulsão de 1492 em Espanha e quatro anos mais tarde em Portugal. 





Unicórnios.
(BNP)








Bíblia de Cervera.
 Ramos de oliveira e o simbolismo a que está associado na produção do santo óleo para o menorah.
(BNP)





Detalhe de uma página do Devarim (Deuteronómio).
(BNP)





O profeta Jonas a ser engolido pela baleia.
(BNP)



A designada Bíblia (Tanach) de Cervera é um manuscrito ricamente iluminado, datado de 30 de Julho de 1299, aquando do início da obra, tendo sido concluída a 19 de Maio de 1300 em Cervera, província de Lérida, na Catalunha, e que se conserva actualmente na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.
Considerado uma obra única e das mais relevantes no panorama hebraico existente no nosso país, foi já peça central durante a exposição "Medieval Jewish Art in Context" no Metropolitan Museum of Art, de Novembro de 2011 a Janeiro de 2012.









(BNP)



Este manuscrito encontrava-se ainda no início do século XIX nos Países Baixos, para onde muitos judeus da nação portuguesa tinham emigrado durante o reinado de D. Manuel I de Portugal, e posteriormente  já por cristãos-novos, após o Massacre de Lisboa de 1506. 


Veio para  Portugal devido à acção de António Ribeiro dos Santos (1745-1818), Bibliotecário-Mor da Real Biblioteca Pública da Corte (fundada em 1796, hoje a Biblioteca Nacional de Portugal), que no ano de 1804 a adquiriu em Haia pela quantia de 240 mil reis.


Texto copiado por Samuel ben Abraham ibn Nathan e por Josué ben Abraham ibn Gaon para a "massorah", e iluminado por Joseph Asarfati, um judeu de origem francesa fixado em Castela, que assinou a sua obra mais de vinte vezes ao longo do livro. Exemplo magnífico e raro de um manuscrito hebraico da Idade Média com assinatura expressa do artista. 
O Tanach termina com o colofon do copista do texto religioso, seguido do colofon do iluminista, este último, em letras zoomórficas, no último fólio do códice (fl 449r).






Fontes: 
memoriadesefarad.blogspot.pt
montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.pt
quinalafem.blogspot.pt
bnportugal.pt
associazionecamoes.blogspot.pt






sexta-feira, 7 de março de 2014

"Polícia versus polícia", cartoon de Henrique Monteiro







Sugestão







A visita guiada pelo "Caminho dos Judeus", pode ser realizada até ao fim do ano, com visitas guiadas pela  Sevilla Judaica.

 Reserva prévia através de info@creatour.es 

 Visitas diurnas e nocturnas pelo antigo bairro judeu de Sevilha, que actualmente se confina em redor de três bairros, o de Santa Cruz, San Bartolomé e Santa Maria la Blanca.

Preço: 12 € por pessoa.


Fonte: www.sefaradeditores.com
(Carta de Sefarad - Março de 2014)


http://www.andalucia.com/cities/seville/museum-juderia.htm