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terça-feira, 11 de março de 2014

Torniquete







A tômbola anda depressa,
Nem sei quando irá parar ---
Aonde, pouco me importa;
O importante é que pare...
--- A minha vida não cessa
De ser sempre a mesma porta
Eternamente a abanar...


Abriu-se agora o salão
Onde há gente a conversar.
Entrei sem hesitação ---
Somente o que se vai dar?
A meio da reunião,
Pela certa disparato,
Volvo a mim a todo o pano:


Às cambalhotas desato,
E salto sobre o piano...
--- Vai ser bonita a função!
Esfrangalho as partituras,
Quebro toda a caqueirada,
Arrebento à gargalhada,
E fujo pelo saguão...


Meses depois, as gazetas
Darão críticas completas,
Indecentes e patetas,
Da minha última obra...
E eu --- pra cama outra vez,
Curtindo febre e revés,
Tocado de Estrela e Cobra...



Mário de Sá-Carneiro



segunda-feira, 10 de março de 2014

Porta de Exijara




Arco de entrada para o antigo bairro judeu.

Porta de La Exijara, Ronda,
 Andaluzia - Espanha.






Fotografia de John e Lisa Merrill.
www.art.co.uk




domingo, 9 de março de 2014

A frase da semana







"Só os mortos conhecem o
 fim da guerra".



 Platão




Manuscrito sefardita conhecido como Bíblia de Cervera‏







O manuscrito sefardita conhecido como Bíblia de Cervera, foi um daqueles patrimónios literários que sobreviveram às mais complicadas hecatombes e devastações levadas a cabo pelo homem, em nome de D´us.  
Testemunhou a destruição das comunidades judaicas em finais do século XIV, quando uma grave crise social, acompanhada de surtos de peste desencadeou uma vez mais o velho sentimento anti- judeu na Catalunha e em territórios da Coroa de Aragão. 





Bíblia de Cervera, págs. 444-5 (BNP).
Iluminura em dupla página, reproduzindo uma cidade medieval.





Falcoeiro e caçador.
(BNP)



Não era novidade que na Península ibérica, os judeus eram vistos como os responsáveis de todos os males, fossem eles económicos ou políticos, chovesse ou fizesse sol, originando as habituais perseguições e matanças, métodos esses, impregnados de fanatismo e motivados pela ignorância e inveja, que de casos esporádicos, passaram a ser quase constantes, pondo termo a uma era de coexistência mais ou menos tolerante entre cristãos, judeus e muçulmanos, culturalmente rica e florescente da expansão dos reinos cristãos no século XII.


Uma sucessão de acontecimentos que teve o seu "epílogo" mais trágico, aquando da expulsão de 1492 em Espanha e quatro anos mais tarde em Portugal. 





Unicórnios.
(BNP)








Bíblia de Cervera.
 Ramos de oliveira e o simbolismo a que está associado na produção do santo óleo para o menorah.
(BNP)





Detalhe de uma página do Devarim (Deuteronómio).
(BNP)





O profeta Jonas a ser engolido pela baleia.
(BNP)



A designada Bíblia (Tanach) de Cervera é um manuscrito ricamente iluminado, datado de 30 de Julho de 1299, aquando do início da obra, tendo sido concluída a 19 de Maio de 1300 em Cervera, província de Lérida, na Catalunha, e que se conserva actualmente na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.
Considerado uma obra única e das mais relevantes no panorama hebraico existente no nosso país, foi já peça central durante a exposição "Medieval Jewish Art in Context" no Metropolitan Museum of Art, de Novembro de 2011 a Janeiro de 2012.









(BNP)



Este manuscrito encontrava-se ainda no início do século XIX nos Países Baixos, para onde muitos judeus da nação portuguesa tinham emigrado durante o reinado de D. Manuel I de Portugal, e posteriormente  já por cristãos-novos, após o Massacre de Lisboa de 1506. 


Veio para  Portugal devido à acção de António Ribeiro dos Santos (1745-1818), Bibliotecário-Mor da Real Biblioteca Pública da Corte (fundada em 1796, hoje a Biblioteca Nacional de Portugal), que no ano de 1804 a adquiriu em Haia pela quantia de 240 mil reis.


Texto copiado por Samuel ben Abraham ibn Nathan e por Josué ben Abraham ibn Gaon para a "massorah", e iluminado por Joseph Asarfati, um judeu de origem francesa fixado em Castela, que assinou a sua obra mais de vinte vezes ao longo do livro. Exemplo magnífico e raro de um manuscrito hebraico da Idade Média com assinatura expressa do artista. 
O Tanach termina com o colofon do copista do texto religioso, seguido do colofon do iluminista, este último, em letras zoomórficas, no último fólio do códice (fl 449r).






Fontes: 
memoriadesefarad.blogspot.pt
montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.pt
quinalafem.blogspot.pt
bnportugal.pt
associazionecamoes.blogspot.pt






sexta-feira, 7 de março de 2014

"Polícia versus polícia", cartoon de Henrique Monteiro







Sugestão







A visita guiada pelo "Caminho dos Judeus", pode ser realizada até ao fim do ano, com visitas guiadas pela  Sevilla Judaica.

 Reserva prévia através de info@creatour.es 

 Visitas diurnas e nocturnas pelo antigo bairro judeu de Sevilha, que actualmente se confina em redor de três bairros, o de Santa Cruz, San Bartolomé e Santa Maria la Blanca.

Preço: 12 € por pessoa.


Fonte: www.sefaradeditores.com
(Carta de Sefarad - Março de 2014)


http://www.andalucia.com/cities/seville/museum-juderia.htm







José Gurvich








Falecido com a idade de 47 anos, Gurvich possui uma produção artística bastante importante e com uma simbologia judaica assinalável. 
Este artista uruguaio, caracterizou-se por uma obra repleta de telas coloridas, com temas desde o repertório bíblico à experiência sionista.





"Shabat", 1974.
Colecção pertencente à família do artista.





"Caim e Abel", 1973 (detalhe).
Colecção Museu de Gurvich.




A obra artística de José Gurvich (Lituânia,1927 - Estados Unidos,1974), obtida através de conteúdos profundos e de uma enorme criatividade, é uma arte imaginativa  e surpreendente que, ao longo de toda a sua vida, esteve em constante desenvolvimento. Gurvich é um nome grande da arte construtivista latino-americana, valorizado cada vez mais com o decorrer do tempo.
A vida de Zusmanas Gurvicius, seu nome verdadeiro, recebeu como 
fonte de inspiração nomes consagrados como Joaquim Torres Garcia, Paul Klee, Peter Brueghel, Hieronimus Bosch, Lasar Segall, Marc Chagall e Naftali Bezem. 
Na  arte de José Gurvich, é inquestionável a influência exercida por esses ícones da cultura mundial na consolidação da arte do pintor judeu-uruguaio.





"Casal", de 1968.
Colecção Museu Gurvich.





"A vida no Kibutz", de  1966.




Utilizou com frequência a iconografia judaica. Seu universo alterna cenas da aldeia na Lituânia, relatos bíblicos, o pioneirismo e a realidade da vivência no kibutz, mitos, sonhos e anjos. 

Gurvich produziu uma arte eloquente através da abordagem do quotidiano, por meio de incursões em universos complexos, penetrando com força no que podemos denominar de “tempo judaico”, um tempo cujas narrativas recriam momentos cruciais da epopeia histórica do povo de Israel.





Fontes: www.museogurvich.org
historico.elpais.com.uy
www.artemercosur.org.uy
Revista Morashá e wikipedia