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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Centro de Interpretação Isaac Cardoso









Onde antes só existiam ruínas, em Trancoso, ergue-se agora o Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso, “numa área onde se julga ter existido a Judiaria de Trancoso”.
A comunidade judaica desta cidade do distrito da Guarda foi destroçada pela Inquisição, há mais de 500 anos, e o projecto dos arquitectos Gonçalo Byrne e José Laranjeira funciona como uma homenagem aos que foram obrigados a abandonar a crença, ou, pelo menos, a esconderem-na. 












Este centro, cujo nome faz referência a um médico judeu nascido no século XVII, integra ainda a Sinagoga Beit Mayim Hayim “Casa das Águas Vivas”, inspirada na Sinagoga de Tomar e onde a luz solar entra, reflectindo-se nas paredes revestidas de “madeira com um particular aveludado”. 


Assim se explica a “atmosfera de luz dourada” que se percebe nas fotografias de Fernando Guerra.
 O Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso faz parte da Rede de Judiarias de Portugal.



Autoria de Fernando Guerra -  20/01/14

http://p3.publico.pt


(Enviado por Sónia Craveiro)




domingo, 9 de fevereiro de 2014

Um Campo Batido pela Brisa








A tua nudez inquieta-me. 


Há dias em que a tua nudez 
é como um barco subitamente entrado pela barra. 
Como um temporal. Ou como 
certas palavras ainda não inventadas, 
certas posições na guitarra 
que o tocador não conhecia. 


A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo 
para um lado misterioso e frágil. 
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe 
contorno, peso. Destrói o meu corpo. 
A tua nudez é uma violência 
suave, um campo batido pela brisa 
no mês de Janeiro quando sobem as flores 
pelo ventre da terra fecundada. 


Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas 
com o vocabulário da tua nudez. 
Tenho «um pensamento despido»; 
maturação; altas combustões. 
De mão dada contigo entro por mim dentro 
como em outros tempos na piscina 
os leprosos cheios de esperança. 
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete 
que lanço com mão tremente desastrada 
para rebentar e encher a minha carne 
de transparência. 


Sete dias ao longo da semana, 
trinta dias enquanto dura um mês 
eu ando corajoso e sem disfarce, 
iluminado, certo, harmonioso. 
E outras vezes sucede que estou: inquieto. 
Frágil. 
Violentado. 


Para que eu me construa de novo 
a tua nudez bascula-me os alicerces. 



Fernando Assis Pacheco
 em “A Musa Irregular”.



A frase da semana







"As necessidades materiais do teu próximo são as tuas necessidades espirituais".


Rabino Israel de Salant




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Shabat Shalom






Pintura de Alex Levin.



Samuel Usque





Samuel Usque foi um escritor português do século XVI, que nasceu provavelmente na cidade de Lisboa. Devido às perseguições aos cristãos-novos efectuadas em Portugal, Samuel Usque refugia-se em Itália juntamente com Abraham Usque (um parente próximo), dono de uma importante tipografia e casa editora na província italiana de Ferrara. Foi aí, que Samuel Usque publicou em 7 de Setembro de 1553, a sua obra 'Consolação às Tribulações de Israel', três diálogos entre três pastores (Jacob, Nahum e Zacarias), escritos em estilo bíblico, em que são contadas as perseguições aos judeus. No primeiro foca a história bíblica dos judeus, o segundo a reconstrução e destruição do segundo templo de Jerusalém e o terceiro as tragédias dos judeus durante a Idade Média.






A"Consolação às Tribulações de Israel", teve uma larga e importante difusão entre os cristãos-novos exilados pela Europa, o que contribuiu para que fosse colocado no Index dos livros proibidos pela Inquisição.
Esta obra, considerada como um dos monumentos da prosa portuguesa do séc. XVI, começou por circular em Inglaterra, sendo depois reimpresso na Holanda no ano de 1599.


Livro dedicado à " ilustríssima Senhora Dona Grácia Nasi, coração da nação portuguesa...para vos testemunhar a minha gratidão pelos numerosos favores que recebi da vossa mão". 


Dedicatória que confirma o financiamento desta obra por parte de Grácia Nasi.





Fontes: jewishencyclopedia.com
Blogue da Rua da Judiaria
www.arlindo-correia.com
sefarad.revistas.csic.es




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Beira Interior - Belmonte pode acolher Centro de Formação e Cultura Judaica





O projecto, pensado pelo rabino da Comunidade Judaica de Belmonte, Elisha Salas, vai aliar as componentes turística, religiosa e educacional. O Centro de Formação e Cultura Judaica será um contributo para perceber a história dos judeus em Portugal e dos judeus portugueses no mundo.





Fotografia do Turismo de Portugal.


Café Portugal/Lusa/ segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014



 O rabino de Belmonte, Elisha Salas, explicou que este centro deverá «abranger as componentes turística, histórica e educacional, de modo a afirmar-se como um espaço de partilha de conhecimento nas áreas judaica/religiosa e judaica/educacional», disse.


O projecto foi pensado pelo próprio rabino da Comunidade Judaica de Belmonte, mas será candidatado a fundos europeus, além de contar com o apoio da Câmara Municipal de Belmonte e da Rede de Judiarias de Portugal, bem como de privados.





Sinagoga Bet Eliahu.
Fotografia de Rafael Baptista (2013)



Entre os apoios que os promotores do projecto pretendem cativar está o do impulsionador da construção da Sinagoga de Belmonte, que, no dia 3 de Fevereiro, também se desloca àquela vila.


«É um centro que terá diversas componentes e que contribuirá para perceber a história dos judeus em Portugal e dos judeus portugueses no mundo, porque a verdade é que onde quer que os judeus portugueses tenham ido, deixaram uma marca importante», explicou Elisha Salas.





Rabino Salas.
Foto da: sscusa.org (Shehebar Sephardic Center)



O rabino frisou ainda que, além da «preservação da identidade histórica», o centro também apostará «o presente no futuro», como um espaço no qual «a formação e a partilha de conhecimentos sejam um dos mais importantes pilares».





Museu Judaico de Belmonte.
Foto retirada do blogue - 5minutosdearte.blogspot.pt   



O intercâmbio com Israel ou com as mais importantes comunidades de judeus pelo mundo estará igualmente contemplado da missão deste centro.


«Por exemplo, teremos um espaço para palestras. Aí, poderemos interligar os conceitos, quem sabe promover uma palestra de agricultura na qual convidaremos um engenheiro agrónomo israelita, que possa partilhar conhecimentos com os engenheiros agrónomos portugueses para que se possa tirar o melhor das terras portuguesas», explicitou.





Tzipora Rimon.



Ideias que serão apresentadas à embaixadora de Israel em Portugal, Tzipora Rimon, que entre os dias 3 e 5 de Fevereiro se desloca às localidades de Sabugal, Guarda, Belmonte, Manteigas, Trancoso e Covilhã.





Belmonte.
Fotografia de Rafael Baptista (2013)




Uma visita que, de acordo com o rabino, se «reveste de grande importância» e que é esperada pela comunidade judaica em Belmonte «com grande expectativa».


«É a confirmação e o reconhecimento de que Israel nos encara como membros importantes e espero que esta visita contribua para reafirmar as boas relações que sempre tivemos com Israel, que sempre nos tratou bem», afirmou.


Elisha Salas garantiu ainda que não tem «preocupações negativas» para transmitir à embaixadora que, acredita, «ficará muito impressionada com tudo o que vai encontrar», designadamente com a «integração, boa relação e apoio que a comunidade tem, não só em Belmonte, como na região», disse.


O presidente da Comunidade Judaica de Belmonte, Pedro Diogo, tem a mesma opinião e garante que as cerca de 120 pessoas que constituem a comunidade também estão «muito felizes com a vista da embaixadora» e que esperam que a mesma «contribua para reforçar, ainda mais, a ligação com Israel».



(Artigo partilhado por Fernanda de Almeida)





Via:  http://www.cafeportugal.pt/pages/noticias_artigo.aspx?id=7229