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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Concerto do Trio A Piacere








Dia 22 de Dezembro, pelas 11h00 
Sala Luís de Freitas Branco


Preço 5€ 


O Trio A Piacere nasce no seio do Conservatório Nacional de Lisboa, juntando artistas oriundos de diferentes países que partilham a paixão pela música de câmara e o prazer de a fazerem juntos.

O sucesso encontrado e o acolhimento recebido após as primeiras apresentações, levaram a convites para actuações um pouco por todo o país e à gravação de um concerto em directo para a Antena 2, no qual, a par dos trios mais conhecidos de Beethoven e de Brahms, interpretou o trio do compositor italiano Nino Rota (autor da música da maior parte dos filmes de Fellini), pelo centenário do seu nascimento.

Neste concerto no CCB, além do Trio op.114 em Lá menor de Brahms, o Trio interpretará, em estreia, obras que dois dos compositores portugueses de maior destaque, Eurico Carrapatoso e Sérgio Azevedo, compuseram e dedicaram a esta formação.



Nuno Silva clarinete
Catherine Strynckx violoncelo
Daniela Ignazzitto piano




Perdi os Meus Fantásticos Castelos









Perdi meus fantásticos castelos 
Como névoa distante que se esfuma... 
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: 
Quebrei as minhas lanças uma a uma! 


Perdi minhas galeras entre os gelos 
Que se afundaram sobre um mar de bruma... 
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? – 
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma! 


Perdi a minha taça, o meu anel, 
A minha cota de aço, o meu corcel, 
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias... 


Sobem-me aos lábios súplicas estranhas... 
Sobre o meu coração pesam montanhas... 
Olho assombrada as minhas mãos vazias... 



Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ibn Shaprut








De carismática personalidade e aguçada inteligência, Ibn Shaprut foi o primeiro de um grande grupo de dignitários judeus que serviram reis e príncipes. Médico, diplomata e ministro da corte do califa de Córdoba, era encarregado das negociações com delegações estrangeiras que chegavam ao Califado, o que fazia com grande habilidade. É um exemplo vivo da multiplicidade de áreas em que actuavam os judeus de Sefarad.


Sob o domínio de Abd Ar-Rahman III, califa de Córdoba que governou entre 912 e 961, a Espanha muçulmana se tornou na região mais rica da Europa. Córdoba, a capital, rivalizava em opulência económica e cultural com Damasco e Bagdad e os judeus despontaram entre os primeiros a participar dessa era de prosperidade.





Moeda do califado de Córdoba, reino de Abd Ar Rahman III (?).





É nessa efervescência cultural e económica que surge uma nova aristocracia judaica. Não hereditária nem do tipo tradicional, mas baseada na erudição e sabedoria talmúdica. Era fruto da influência social e política adquirida por seus membros no contacto com a alta esfera dos governantes. Sem abrir mão de profunda religiosidade e constante compromisso com seu judaísmo, esses novos líderes participavam activamente da vida mundana e política e cultivavam o gosto pela cultura islâmica da época.


O historiador e professor Josef H. Yerushalmi, em Outubro de 1995, em palestra proferida na Congregação e Beneficência Sefardita Paulista Beit Yaacov, em São Paulo, descreve-os da seguinte forma: "No íntimo da aristocracia judaica espanhola estava a imagem do judeu que combina harmoniosamente elementos que, em outras épocas, as comunidades judaicas considerariam contraditórios e conflitantes. Exemplificando: uma escrupulosa observância judaica aliada aos modos e costumes cosmopolitas, à Torah e à sabedoria grega; uma devoção intensa à tradição judaica e uma abertura genuína à cultura não-judaica circundante".



Herança familiar



Hasdai ibn Shaprut incorporava tais ideais. Apesar de não ter sido o primeiro judeu a se destacar na vida pública, pois outros surgiram no Iraque, na mesma época, foi certamente o primeiro judeu a fazer parte da Corte cuja vida é conhecida em detalhes. Teve um papel determinante nesse início de uma nova era na vida e cultura judaicas. Esta era marcaria para sempre a história de nosso povo.


Hasdai nasceu em 915, em Córdoba. Na época, a cidade caminhava para seu apogeu; sua beleza era lendária, a economia e o comércio floresciam. E os judeus da Andaluzia participavam desse renascimento. Ibn Shaprut era descendente de uma família de eruditos e filantropos. Seu pai, Isaac, homem rico e generoso, construíra uma sinagoga e subsidiava o ensino judaico. E, obviamente, transmitiu ao filho o conhecimento e respeito às Leis de Moisés. Desde cedo, o rapaz se aprofundou nos estudos judaicos, respeitava os ensinamentos de nossos sábios e era generoso com os necessitados.


Para sua educação, foram contratados tutores particulares. Aprendeu o hebraico, o latim - em uma época em que só os clérigos dominavam este idioma - o rumantch, reto-românico, dialecto latino precursor do castelhano, usado por muitos cristãos e muçulmanos, além de vários outros. Estudou também medicina e se aprofundou no estudo da  Torah e do Talmude.


Se o domínio de tantas línguas foi fundamental para sua rápida carreira política, sua grande habilidade na medicina foi o que o tornou, com apenas 30 anos, ter sido aceite na corte de Abd Ar-Rahman III. O califa o notara, pela primeira vez, por sua descoberta de uma substância activa que servia de antídoto para um veneno, chamada Theriaka (faruk, em árabe), cujo unguento ainda é usado actualmente em certas áreas do Médio Oriente. Nas inúmeras tramas palacianas, era bastante comum se usar veneno para "fins políticos" e a descoberta do antídoto fez Ibn Shaprut se tornar muito requisitado e respeitado. De pronto foi convidado para fazer parte do conselho médico que atendia o califa e outros cortesãos.



Na época, os médicos do círculo íntimo dos califas eram frequentemente designados para importantes cargos administrativos. Assim, Ibn Shaprut iniciou o que seria uma brilhante carreira política. Sua habilidade em lidar com impostos e receitas públicas o colocou mais uma vez em evidência. O califa constantemente necessitava de recursos para seus espectaculares empreendimentos arquitetónicos que fizeram de Córdoba uma das cidades mais lindas da época. Em 956, foi nomeado para um cargo equivalente a ministro do Interior e das Finanças do Califado. Ele conseguia os recursos para as obras do califa e este lhe retribuía com sua confiança e gratidão. Prova desse apreço foi sua nomeação por Abd Ar-Rahman III como presidente da comunidade judaica, com o título de "Nasi", ou príncipe, entre os judeus.





Mesquita de Córdoba.



Como ocorria então com pessoas de sua classe social, fossem judeus, muçulmanos ou cristãos, Ibn Shaprut se cercava de mentes cultas e espíritos talentosos que ele próprio incentivava com seu patrocínio. Vimos acima que este novo protótipo de líder judeu conseguia conciliar com habilidade "a Torah, a sabedoria grega e a poesia". A generosidade do ministro atraiu numerosos intelectuais e eruditos judeus, especialmente poetas e literatos. Um deles foi Menahem ibn Seruq, escritor, poeta e autoridade no estudo de idiomas, que compôs um dicionário das raízes do hebraico bíblico.


Como ministro, uma de suas atribuições era receber delegações estrangeiras. No âmbito político, Ibn Shaprut recebia inúmeras incumbências delicadas, como por exemplo, as negociações diplomáticas que favoreciam o califado. Em especial, quando os governantes muçulmanos negociavam com autoridades cristãs, era preferível o uso de diplomatas judeus porque representavam garantia de discrição e neutralidade.





Ilustração da cidade de Constantinopla, Crónica de Nuremberg, 1493.



No final da década de 940, Ibn Shaprut soube beneficiar-se de uma grande oportunidade diplomática. Os interesses do imperador cristão de Bizâncio, Constantino VII, começavam a coincidir com os do Califado de Córdoba: os abássidas, de Bagdad, dos quais o califado de Córdoba queria total independência, atacavam o Império Bizantino. Em paralelo a esta questão, tanto Constantino VII como Abd Ar-Rahman tinham grande interesse nas artes e nas ciências e não davam importância às diferenças teológicas que separavam o mundo cristão do islâmico. Embora o Califado de Córdoba e o Império de Bizâncio compartilhassem interesses intelectuais e o grande antagonismo em relação ao Califado de Bagdad, precisavam de um negociador extremamente habilidoso para conduzir as delicadas conversações entre as duas potências, uma cristã e outra muçulmana. Graças a seu talento como tradutor e negociador, Ibn Shaprut foi sumamente importante nessa intermediação. Na habitual troca de gentilezas materiais entre os governantes, um presente excepcional de Constantino criou um problema de grandes proporções. Tratava-se de um raro manuscrito grego, intitulado "De Materia Medica". Escrita por Dioscórides no século I, a obra era um importante tratado de farmacologia. Não era totalmente desconhecido na Espanha, havendo mesmo uma tradução para o árabe, feita em Bagdad, no século IX. Mas esta era tão imprecisa que impossibilitava a identificação de muitas das ervas e substâncias mencionadas. Por isso, os estudantes de medicina que queriam aprofundar-se no assunto eram obrigados a viajar até Bagdad para completar sua formação científica. Como nenhum dos tradutores de Córdoba sabia grego, Constantino enviou um monge que fizera a tradução do grego para o latim, ao passo que coube a Ibn Shaprut a tradução do latim ao árabe.


A impecável tradução do tratado médico fez crescer o prestígio de seu autor, especialmente porque favoreceu a independência científica do Califado. Isto foi fundamental para alcançar a autonomia cultural e política da Espanha islâmica, almejada tanto pelos muçulmanos quanto pelos judeus.



Papel preponderante



A partir daí, inúmeras outras delicadas missões diplomáticas lhe foram designadas, especialmente com os reinos cristãos ao norte, como o Reino de Leon, e com o imperador germânico Otto I. Enquanto estadista, Ibn Shaprut revela uma outra faceta que muito o caracterizou: seu constante senso de responsabilidade face à comunidade judaica. Sua carreira se tornou um exemplo e traçou directrizes para as gerações seguintes. O poder e a influência na corte, as alianças políticas e as relações com as elites governantes só eram dignas de serem perseguidas quando associadas ao papel de defensor de seu povo.


O objectivo supremo era conseguir "o bem maior para Israel". Patrocinar os estudos e a cultura judaica eram parte integral dessa nobre missão.


Há dados que relatam que quando em missão de estado em outros países, sempre indagava sobre o bem-estar das comunidades judaicas locais. Sua reputação o precedia e os judeus lhe escreviam relatando suas necessidades e anseios, perigos ou perseguições que enfrentavam. Recebia uma vasta correspondência de judeus aflitos, para os quais a existência de um "príncipe de Israel" na Espanha islâmica representava enorme consolo. Sabiam poder contar com sua ajuda. Ibn Shaprut sempre intercedia em favor dos seus.


De cartas que sobreviveram aos anos pode-se ler sobre o apelo dos judeus do sul da Itália. Sendo ameaçados de perseguição religiosa, seus rabinos e professores presos e seus livros confiscados, pediram a ajuda do líder hispânico. Outras cartas revelam que quando o imperador bizantino Romanus I Lekapenos (que governou entre 919-944) introduziu sérias medidas anti-judaicas, Ibn Shaprut escreveu duas cartas à imperatriz Helena, em defesa dos judeus de Bizâncio, que foram entregues à monarca pelo enviado oficial do califa. Em uma das cartas, usando palavras duras, Shaprut a faz recordar o quão tolerante Abd Ar-Rahman III era com os cristãos que viviam sob seu domínio.


Mas, acima de tudo, foi a elegante correspondência em hebraico que Ibn Shaprut enviara para Joseph, rei dos Kazaris, por volta de 960, que expressou as extraordinárias qualidades pessoais do diplomata e a influência que exercia à época. Zelosamente preservada pelos judeus da Espanha, essa documentação veio mais tarde a servir de fundo para a grande obra filosófica, escrita no século XII, pelo sábio espanhol Rabi Yehuda Halevi, o Kuzari.


Chegou ao conhecimento de Ibn Shaprut que, por volta de 940, o rei Bulan, dos Kazaris, convertera-se ao judaísmo, juntamente com seus súbditos. Os Kazaris eram um povo nómada, de origem turca, que vivia na fronteira entre o Império Bizantino cristão e o mundo muçulmano (V. Morashá nº 28).No decorrer do VII século, o reino incluía a Crimeia  onde viviam judeus, cristãos e muçulmanos. Pressionados a se converter às respectivas religiões, em algum momento do século VIII os Kazaris decidiram converter-se ao judaísmo. No século IX, ocupavam vasta área do sul da Rússia, entre o Cáucaso, o mar Cáspio e os rios Volga e Dnieper.


As notícias da existência de um reino judaico soberano e independente alimentavam as esperanças e a auto-estima dos judeus atormentados por cristãos e muçulmanos. Estes sempre os confrontavam afirmando que a dispersão e impotência da Nação Judaica eram "prova" da rejeição Divina ao povo de Israel. Ibn Shaprut escrevera ao rei dos Kazaris, dizendo: "Abençoado seja o Senhor, D'us de Israel, que não nos deixou sem um correligionário para nos defender e que não tolerou que as tribos de Israel estivessem sem um reino independente".


Ele também indagava se o rei Joseph tinha algum conhecimento secreto sobre quando a dispersão do povo judeu chegaria a termo e quando todos seriam reunidos pelo Messias e reconstituiriam uma nação na Terra de Israel. Estas perguntas eram indagações comuns entre os judeus da Idade Média. Especialmente os sefarditas sempre estavam à procura de indícios que os ajudassem a calcular a data da chegada do Messias e do fim do exílio.


As actividades diplomáticas de Ibn Shaprut proporcionaram importantes mudanças para sua própria comunidade. Graças a seu empenho, o século X assinalou uma nova era de independência e autonomia cultural e religiosa para os judeus na Espanha. Mas, não há dúvida de que a mais duradoura contribuição de Ibn Shaprut foi o grande impulso que deu ao estudo da Torá e do Talmude. Teve também o mérito de revitalizar a língua hebraica. Quando começaram a se espalhar pelo mundo judaico notícias do novo fomento intelectual em Córdoba, para lá afluíram os maiores estudiosos e eruditos da África do Norte e do Egipto, em busca de novas oportunidades.





Ibn Shaprut na corte de Abd Ar Rahman III - Pintura de Dionís Baixeras, 1885.
(Universidade de Barcelona).




Ibn Shaprut fundou também a Yeshiva de Córdoba. Quando a Academia de Sura foi temporariamente fechada, sua biblioteca completa foi adquirida pelo líder comunitário para a Yeshivá de sua cidade. Contratou para dirigi-la um grande erudito, o Rabino Moshe Ben Hanoch, que passou a indicar os novos rabinos para várias partes da Espanha, muitos dos quais alunos de sua própria academia. Este procedimento rompia com o antigo protocolo pelo qual somente os Gaonim da Babilónia tinham este privilégio.


Ibn Shaprut queria obter para os judeus da Andaluzia independência do Oriente no que tangia aos assuntos religiosos. Até então, os judeus dessa região deviam buscar nas cortes rabínicas de Bagdad instruções e orientação. A autoridade dos Gaonim das Academias de Sura e Pumbedita, em Bagdad, como os legítimos intérpretes da Lei judaica para toda a Diáspora, baseava-se numa tradição secular ininterrupta, que remontava à época da compilação do Talmude da Babilónia. Mercadores e viajantes levavam donativos para as academias e traziam consigo de volta as questões e os pareceres sobre a aplicação da Lei judaica nas diferentes situações da vida.


A partir dessa "independência religiosa", todas as consultas que no passado eram dirigidas às academias da Babilónia passaram a ser resolvidas pela Yeshivá de Córdoba. Esta Casa de Estudos passou a ser o novo Bet Din Hagadol, ou seja, uma espécie de Corte Suprema Rabínica, onde eram resolvidas as disputas da comunidade, em particular as concernentes à Lei judaica.


Na obra "História dos Judeus", de Graetz, encontramos um belo poema que resume, com grande sensibilidade, o que esse grande judeu representou para o nosso povo. Em tradução livre:


"Dos ombros de seu povo, sacudiu o pesado jugo; A eles entregou sua alma, trazendo-os para perto de seu coração; Os flagelos que os açoitavam, ele destruiu, Afugentando, em meio ao terror, o cruel opressor. O Inigualável condescendeu-se e, por seu intermédio, sobre eles dispensou Migalhas de conforto e salvação".




Hasdai Ibn Shaprut faleceu em 970, provavelmente em Córdoba.




Via: Revista Morashá



Castelo de São Jorge




Duas dezenas de peças islâmicas de Silves expostas no Castelo S. Jorge Espólio revela um período de grande florescimento cultural entre os séculos VIII e XI



O Castelo de São Jorge, em Lisboa, acolhe até 6 de Janeiro a exposição “Arquiteturas”. Nesta mostra, que pretende dar a conhecer testemunhos arquitetónicos muçulmanos no actual território português, incluem-se cerca de duas dezenas de peças e três maquetas provenientes de Silves e que foram disponibilizadas pelo Museu Municipal de Arqueologia.






A exposição surge no âmbito da entrega do Prémio Aga Khan de Arquitetura, sendo promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, o Aga Khan Trust for Culture e a Câmara Municipal de Lisboa e dá a conhecer o legado islâmico encontrado em Portugal que, apesar de pouco conhecido internacionalmente, tem, nas últimas décadas, revelado estruturas e espólios de períodos com grande florescimento cultural, entre os séculos VIII e XIII.


Nela se incluem vestígios como a pia de abluções de Cacela, uma placa ornamental da Quinta dos Passarinhos, em Chelas (Lisboa), e outras peças como uma placa apotropaica, um bocal de cisterna, um fragmento de gelosia, um conjunto de estuques pintados, três capitéis e um fragmento de arcaria, todas provenientes de Silves, a última cidade muçulmana do extremo do Garb Al-Andalus.


Fazem, também, parte desta exposição as maquetas dos principais monumentos islâmicos existentes em Portugal como o palácio islâmico da alcáçova, o Poço-Cisterna Almóada e o Castelo de Silves, a Mesquita de Mértola e o Ribāt da Arrifana, em Aljezur.


De referir que todos os vestígios identificados, e que estão em exposição, integram a rede de sítios e núcleos museológicos, encontrando-se entre os mais significativos o de Silves, que possui ruínas musealizadas na alcáçova e o Museu Municipal de Arqueologia (espaço que inclui não só espólios, mas um sector da muralha da antiga Medina e torre albarrã anexa, assim como o monumental poço-cisterna, atribuído aos finais do século XII ou aos inícios da centúria seguinte, hoje classificado como monumento nacional), assim como o do Castelo de São Jorge, em Lisboa, o de Mértola e o da Arrifana (Aljezur).


JA



Via: www.jornaldoalgarve.pt
22/10/2013


domingo, 15 de dezembro de 2013

Mulher judia de Ait Hdidou - Marrocos






Mulher judia de Ait Hdidou. 
Pintura em óleo sobre tela, de 2013, por Chama Mechtaly.





Chama Mechtaly
(Pintora nascida em Casablanca).



Sugestão para uma visita ao Bairro Alto




A área que actualmente constitui o Bairro Alto foi-se estabelecendo entre os séculos XV e XVII, através da formação de um conjunto de aglomerados urbanos, podendo considerar-se "a primeira urbanização moderna de Lisboa" (TEIXEIRA, Manuel, VALLA, Margarida, 1999, p.90). 





Bairro Alto - Rua do Século: chafariz no largo fronteiro ao Palácio do Marquês de Pombal.



Uma das primeiras áreas do futuro Bairro Alto era a Vila Nova de Andrade, construída em meados do século XV nas antigas propriedades do cirurgião judeu Guedelha Palaçano, (conhecido o local como a quinta do judeu), situadas entre o aglomerado urbano de Cata-que-Farás e a porta de Santa Catarina.
No reinado de D. Manuel assistiu-se ao crescimento populacional e urbanístico da capital, devido à expansão do comércio marítimo. O monarca estabeleceu então um conjunto de regras urbanísticas e arquitectónicas, que se estenderam a toda a cidade.

Ao longo da primeira metade do século XVI, a Vila Nova de Andrade foi crescendo em número de arruamentos e habitantes, de acordo com as directrizes régias, e em meados da centúria iniciou-se uma nova fase de urbanização da zona alta. A Estrada de Santos, que ligava o Loreto, pela zona do Combro, ao Poço dos Negros, marca a divisão destas duas zonas, e em 1553 a instalação dos Jesuítas em São Roque, originou a deslocação do centro do bairro da antiga Vila Nova de Andrade para o novo Bairro Alto de São Roque. Assim, a partir da segunda metade do século XVI, e até ao final do século XVII, assiste-se a "uma fase de urbanização polarizada pela acção cultural dos Jesuítas" (CARITA, Hélder, 1994, p.25).





 Bairro Alto - Rua da Atalaia.



O século XVII será o período de consolidação urbanística, arquitectónica e social do bairro, que se tornou uma malha ortogonal regular "em que os quarteirões, embora todos rectangulares, têm proporções e dimensões diferentes conforme se situam abaixo ou acima da antiga estrada de Santos" (TEIXEIRA, Manuel, VALLA, Margarida, 1999, p.91). 





Bairro Alto - Rua da Academia das Ciências.



Os palacetes e casas senhoriais construídos na época, segundo padrões arquitectónicos eruditos, adaptaram-se tanto à fisionomia das ruas como à tipologia vernácula das habitações já existentes, dando origem a um conjunto arquitectónico harmonioso.
Embora o terramoto de 1 de Novembro de 1755 tenha destruído a zona baixa da cidade, o Bairro Alto foi poupado na maior parte da sua área. Desta forma, o traçado do bairro permaneceu inalterado durante a grande reforma urbanística do período pombalino, embora muitos dos edifícios quinhentistas tenham sido substituídos.
Durante as últimas décadas do século XVIII, o Bairro Alto foi perdendo o seu carácter aristocrático, e embora voltasse a ser habitado por grupos mais populares, acabou por se tornar um dos centros da cidade de Lisboa.
A partir do século XIX, com o crescimento da cidade, foram os limites do Bairro Alto que se renovaram; o estabelecimento de aglomerados urbanos adjacentes levou a que o bairro se fechasse sobre si, afastado tanto das constantes renovações urbanísticas de que a cidade foi objecto ao longo dos séculos XIX e XX, como das transformações estilísticas ao nível da arquitectura.
Desde então, as casas e antigos palacetes do Bairro Alto passaram a hospedar artistas, intelectuais, redacções de vários jornais e estruturas de apoio social e médico, tornando-se também o centro da vida nocturna da cidade.
Desta forma, o Bairro Alto manteve intacta a estrutura urbana quinhentista, resistindo a quatro séculos de transformações urbanísticas da capital, e revelando na sua malha ortogonal os ideais das cidades renascentistas, ao qual se adaptaram os edifícios construídos nos dois séculos seguintes.




de Catarina Oliveira 



Via: GIF(IPPAR(actual IGESPAR) Junho de 2005
Fotos - IGESPAR