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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Para os meus estimados leitores, independentemente do seu credo, origem étnica ou nacionalidade, os votos de um FELIZ ANO NOVO !!!




Feliz Virada de Ano atrasado 2012 orkut facebook gif



Vestígios e memórias do passado




A Comunidade Judaica de Óbidos 


No primeiro século da era cristã, o escritor romano, Plínio, refere a existência de uma cidade entre Lisboa (Olissipo) e Leiria (Colippo), à qual chamou "Eburobrittium". Muitos autores tentaram encontrar esta cidade perto de Óbidos, mas foi apenas em 1995 que a antiga cidade romana foi descoberta a 1200 metros, Nordeste de Óbidos. A cidade romana foi, provavelmente construída sobre uma cidade celta do século III a.e.c. Depois da ocupação romana segue-se um período de dois séculos de ocupação visigótica e depois, no século VIII, a ocupação moura. A 10 de Janeiro de 1148, o rei Afonso Henriques toma a vila aos mouros. Em 1195 o mesmo monarca concede privilégios à vila.
A população cristã instalou-se dentro das muralhas do castelo e o rei autorizou a população árabe a viver fora das muralhas ao longo da colina situada a Oeste do castelo, dando origem a um bairro árabe - a Mouraria. À medida que as muralhas foram alargadas, os mouros deixaram a Mouraria e instalaram-se mais abaixo da colina, como agricultores. Não sabemos exactamente quando a primeira comunidade judaica se instalou em Óbidos, mas existe uma referência em 1333 à sinagoga, o que nos permite concluir que já existia uma comunidade judaica organizada.
Embora a comunidade cristã e judaica vivessem separadas, Óbidos pode ser considerado um caso incaracterístico. Entre 1372 e 1375 vemos nomes como um tal Isaac Freire e Josepe Freire arrendando casas na Rua Direita, e vivendo lado a lado com os cristãos. A sinagoga localizava-se na antiga Mouraria, que era agora o bairro judeu ou Judiaria, dando origem a uma nova rua - Rua da Judiaria.
Até 1942, ano do édito espanhol, não existe pressão demográfica sobre a Judiaria , mas ao longo dos século XV podemos encontrar nomes como Samuel Levi, locatário, Nicim Vacaril, ferreiro, Moisés Altaraz, alfaiate, Isaac Altaraz, alfaiate, Abraão Nafez, tecelão, José Benjamim, ferreiro, Abraão Touro, sapateiro, José Gabai, locatário, José Picoro, sapateiro, Judas Neemias, tecelão, Haim, locatário, Beiçudo, locatário, Jacob Batisolha, Abraão Levi, Salomão Abeacar. Em 1482 o rabino arrenda a sua casa às autoridades eclesiásticas, situando-se esta, entre duas igrejas. 




Obidos




Embora fossem quase todos artesãos, encontramos um Abraão Velido, o único judeu a possuir terras perto do rio, ao logo da colina oeste, que ele utilizava para produzir vinho, provavelmente para comercializar.
Apesar de encontrarmos alguns judeus como locatários, e outros a trabalhar para o rei, a comunidade judaica de Óbidos não era rica. Não fosse a diferença religiosa, a população judaica dificilmente seria diferenciada da população cristã.




Após o édito de expulsão de Dom Manuel I, e o baptismo forçado de muitos judeus, começou a fazer-se a distinção entre cristão-novos (judeus ou mouros forçados ao baptismo) e cristãos-velhos. O bairro judeu ou Rua da Judiaria passa a chamar-se Rua Nova, Contudo, muitos nomes de pessoas nesta rua são pouco comuns quando comparados com os nomes dos cristãos-velhos. Encontramos um Simão Fialho, Pero Fialho, Manuel do Quintal, Álvaro e Martim Vadilho, Manuel Frazão e Simão Fernandes. Estes são alguns dos cristãos-novos que viviam lado a lado com os cristãos-velhos da Rua Nova.




Via: "Memórias Judaicas"


(Texto enviado pelo amigo Gonçalo Vidal)


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Israel não é o Irão



Grupos de haredim defendem a exclusão de mulheres em autocarros e na via pública, demonstrando no fundo aquilo que realmente são: cretinos e intolerantes. Eles são uma minoria no país, mas o número suficiente para causar distúrbios sobretudo em Jerusalém.
Sempre desconfiei de gente demasiadamente religiosa, há algo de falso e muito sombrio nas atitudes, e então aquelas cabecinhas nem se fala, aliás, os actos por eles cometidos nestes últimos dias, falam por si.
É que estes meninos para além de possuírem estes agradáveis atributos, são gente que não trabalha, não produz, não cumpre serviço militar.
Vivem às custas do estado hebraico, privilégios não lhes faltam e ainda por cima dão-se ao luxo de causar confusão. Israel não é o Irão, não gostam, boa viagem.










A frase da semana







"Morrer define-se nestes termos concisos: vi e tudo o que vi foi para nada. Escrever é tentar preencher este 'para nada', retardar a sua evidência."



Eduardo Prado Coelho

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Curiosidade





 
"A Torá compara o homem a uma árvore. Nossos Sábios explicam: uma árvore é sustentada pelas suas raízes como o judeu é sustentado pela sua religião e tradições. Uma boa árvore é uma árvore frutífera; cheia de bons e suculentos frutos, da mesma forma, um bom homem é aquele que pratica as boas acções perante seus semelhantes e seu Criador."
 


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Judeus históricos !!!


  
 
cinco judeus mudaram a maneira de ver o mundo:

Moisés disse: "
A lei é tudo. "
Jesus disse: "
O amor é tudo. "
Marx disse: "
O dinheiro é tudo. "
Freud disse: "
Tudo está na cabeça. "
e finalmente Einstein disse:
"Tudo é relativo. "

 


albert einstein caricature by kent roberts


 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A  frase da semana


Salvador Dali



"A única diferença entre um louco e eu, é que eu não sou louco."



Salvador Dali

Um tumulto em Torre de Moncorvo - Parte II







NA RUA DOS SAPATEIROS EM 1599



"Não sabemos quem saiu deste episódio a cantar vitória. Mas sabemos que, em simultâneo, Diogo Monteiro apresentou perante o vigário geral, representante do arcebispo de Braga, uma denúncia em forma acusando-o de práticas judaicas, como fossem: guardar o sábado por dia santificado, deixar os candeeiros acesos na noite de sexta-feira, comer carne na Quaresma e em outros dias proibidos pela igreja, jurar “pelas tripas de Deus e dos santos”, mostrar desprezo pelos ritos católicos, etc. E juntamente apresentou uma relação de 15 pessoas que podiam testemunhar tudo isso, escolhidas entre pessoas cristãs-velhas que, em algum tempo e de qualquer modo tivessem entrada na casa dos Isidros, em geral antigas criadas e serviçais.


Algumas das testemunhas foram logo recusadas pelo vigário geral pois se confessaram inimigas declaradas de Manuel Isidro. Outras disseram que não sabiam de nada mas, ainda assim, foram recolhidos depoimentos que lhe pareceram suficientes para incriminar Manuel Isidro por judaizante e pedir a sua prisão, bem como a de sua mulher Alda Cardoso, a sogra Maria Vaz, o irmão Vasco Pires, a meia-irmã Francisca de Sousa e a mãe desta Jerónima Fernandes. Dos autos constava ainda que já os avós e outros parentes de Manuel Isidro tinham sido presos e penitenciados pelo Santo Ofício.


O sumário foi enviado para o arcebispo de Braga e a carta que o acompanhava, assinada pelo vigário Gregório Rebelo de Abreu é, só por si, um documento de enorme interesse para o estudo das relações entre as comunidades cristã-nova e cristã-velha de Torre de Moncorvo naquela época. Com efeito, escrevia o vigário que a gente da nação andava nesta terra tão “favorecida” que todos lhe tinham medo ou eram por eles subornados, tornando-se quase impossível arranjar quem fosse a um tribunal depor contra eles. E, além de ameaçarem e corromperem as testemunhas e impedirem a execução da justiça, os cristãos-novos até traziam subjugados alguns dos cristãos-velhos mais nobres e prestigiados da terra, pois lhe abonavam o dinheiro e deles dependiam em termos financeiros.


Por entender que as culpas respeitavam a matérias da fé, próprias da alçada do Santo Ofício, o arcebispo de Braga remeteu os autos para o tribunal de Coimbra, “serradoa e selados”, em 19 de Agosto de 1600.


Entretanto, Manuel Rodrigues Isidro não ficou à espera, logo apresentando no mesmo tribunal um “dossier” onde mostrava que tudo não passava de uma “conjuração” que tinham montado contra ele, contando nomeadamente os episódios atrás narrados e provando a inimizade dos seus detractores com os despachos obtidos na Corte de Madrid. E indicou mais de duas dezenas de testemunhas, entre elas sobressaindo o homem de mais nobreza e prestígio em Torre de Moncorvo (o dr. António Madureira, que foi o deputado às Cortes que elegeram Filipe II para rei de Portugal) e homens do tribunal da Relação do Porto.
Queixava-se também que o vigário geral recebera a denúncia de Diogo Monteiro e fizera os autos de inquirição das testemunhas, mas a ele o não quis ouvir.
Escrevia, finalmente, que as testemunhas arroladas contra ele não mereciam crédito, apresentando-as assim:
Ana Rodrigues é “mulher miserável, alcoviteira e do mundo e como tal já esteve presa”.
Isabel Rodrigues, sua irmã é “mulher muito pobre, miserável e rota e esfarrapada (…) e é público e notório que, por qualquer coisa que lhe dêem, dirá o que não sabe”
Maria, “mulher que morou com a Rabita” é solteira e “vagabunda de seu corpo” e também já esteve presa e degredada por ser alcoviteira e “depois de testemunhar pediu perdão a ele suplicante diante de algumas pessoas” que ele nomeou, em prova.
Isabel Vaz é outra que “por dar alcouce e alcovitar e ser devassa do seu corpo, está presa”.
O mesmo se diga da filha do Capadinho, “devassa de seu corpo e mundana grande” que era companheira de Ana Rodrigues e por ela foi induzida a dar falso testemunho.
Filipa Álvares, forneira, era manceba de Lucas de Castro, um dos seus inimigos.
A lista vai a meio mas o retrato feito por Manuel Isidro acerca dos que contra ele foram depor continua igual até ao fim e o único homem arrolado como testemunha vivia no Felgar, era alcunhado de “malas carnes” e “não possui nada nem tem bens alguns de seu e foi induzido a testemunhar contra ele” por ser seu inimigo declarado pois já em tempos Manuel Isidro ripara da espada e o mataria se o não tivessem impedido.
O processo não tem qualquer procedimento ou despacho do tribunal de Coimbra, depreendendo nós que os Inquisidores não encontraram nele matéria para prender Manuel Rodrigues Isidro. Contudo, 20 anos depois, mercê de uma única denúncia, por “crime” bem menos grave e com base em um único depoimento, o mesmo viria a ser preso por aquele tribunal que lhe instaurou um outro processo (nº 448) e, de forma igualmente estranha o libertaria sem qualquer pena, ao cabo de 5 anos!"


Nota dos autores – A história de Manuel Rodrigues Isidro e seus familiares na Inquisição, ao longo de mais de 200 anos e várias gerações, foi estudada pelos autores e esperam seja brevemente publicada.
 







FONTE – IANTT, Inquisição de Coimbra, processo nº 5151.


Maria Fernanda Guimarães e António Júlio Andrade


Via: "torredemoncorvoinblog"


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pintores portugueses



José de Almada Negreiros









A "Santa Inquisição " em Moncorvo - Parte I

 


Ficheiro:TMC.png



NA RUA DOS SAPATEIROS EM 1599



Caíram sobre ele às estocadas mesmo à porta se sua casa, sita ao fundo da rua dos Sapateiros, na vila de Torre de Moncorvo. Eram três contra um e, embora valente e destemido, nada mais pôde fazer do que aparar com a espada as primeiras estocadas e rapidamente meter-se em casa cuja porta a mulher lhe abrira e ainda mais depressa fechou, atrás dele. Da mão esquerda escorria sangue, que lhe abriram um lenho bem fundo e no chão da rua ficou o dedo mindinho, que lho cortaram com uma espadeirada. Antes de prosseguirmos, convirá que apresentemos os contendores:
De um lado, Manuel Rodrigues Isidro, 24 anos, cristão-novo, comerciante e rendeiro, certamente o homem mais endinheirado da terra, um exportador e importador que anualmente pagava mais de 100 mil reis de impostos alfandegários e contava com a protecção de D. Francisca de Aragão, uma das damas de mais consideradas e influentes na Corte de Madrid.
Contra ele, Francisco da Rosa Pinto, juiz dos órfãos, um cargo muito importante e dos mais rendosos da vila; Álvaro Falcão, escrivão do público, e Diogo Monteiro, homem nobre, meirinho do eclesiástico, a autoridade fiscalizadora do cumprimento das leis da igreja e dos deveres públicos dos cristãos, na área do vicariato de Torre de Moncorvo, que abrangia vários concelhos em redor.
Metidos em casa, os Isidros trataram logo de trancar portas e janelas, que os inimigos eram homens de muito poder e prepotentes, capazes até de arrombar paredes. Além do mais, não convinha afrontá-los directamente
Em sua casas se fecharam também, de repente, a maioria dos moradores da rua dos Sapateiros, que quase todos eram “gente da nação” e aquilo podia ser o início de alguma “guerra” entre as comunidades cristã-nova e cristã velha.



A notícia correu logo pela vila e, da casa de Jerónimo de Castro, sita ao fundo da rua dos Sapateiros, por baixo da porta de S. Bartolomeu, saiu pouco depois um magote de gente, pessoas impantes de nobreza e aristocracia, da primeira do concelho, “todos armados de espadas, redelas e cascos e ouras de antas e chuços” e foram juntar-se àqueles três intrépidos “vingadores” e a outros mais que entretanto haviam chegado, em “assuada” à casa de Manuel Isidro, tentando “abalroar” as portas, metendo as espadas pelas vigias, gritando nomes de “cabrão, peero e judeu” e desafiando para que saísse, que haviam de matá-lo.
Da turba enfurecida e para além dos três já apresentados, destacavam-se os seguintes:Ambrósio da Rocha Pinto, pai do juiz dos órfãos.Pascoal Camelo, padre, familiar do Santo Ofício.
António Camelo, sobrinho daquele, homem nobre e que então empunhava a vara de meirinho, o magistrado judicial mais importante da terra e a quem competia manter a ordem pública e executar as prisões.
Jerónimo de Castro, escrivão da câmara municipal, de certo o emprego mais cobiçado da administração em qualquer concelho.
Tomé de Castro, seu filho, chanceler da correição, espécie de secretário provincial a quem pertencia a escrituração das leis e despachos do corregedor e acompanhar a sua execução nos mais de 20 concelhos que integravam a comarca.
Do que mais se passou naquele dia 17 de Maio de 1599 em volta da casa de Manuel Rodrigues Isidro na rua dos Sapateiros, nada mais sabemos. Mas, se o confronto acabou com o corte de “metade da sua mão” esquerda, a verdade é que Manuel Isidro apresentou queixa na Corte de Madrid, a qual ordenou a execução de uma devassa que foi conduzida pelo dr. António Cabral, da Relação do Porto. E em resultado da mesma, foram metidos na cadeia o juiz Francisco da Rosa Pinto, Diogo Monteiro, Bartolomeu de Castro e Pascoal Camelo, enquanto alguns outros abandonavam a vila e se internavam na terra de coutada de Miranda do Douro.



Não pensem, porém, que as coisas ficariam por ali, que um “judeu”, mesmo que protegido pela Corte de Madrid, passava impunemente por cima de gente assim cotada da nobreza Moncorvense. Era mais que certo um ajustar de contas com aquele homem e seus familiares, todos muito favorecidos de dinheiro e honrarias. E o palco escolhido não seria já a rua dos Sapateiros, em Torre de Moncorvo, mas um outro, bem mais grandioso e bem armadilhado – o do tribunal da Inquisição.
Recordam-se os leitores que Diogo Monteiro, um dos que então foram presos, era meirinho do eclesiástico? De certo, pouco tempo estaria atrás das grades e, logo que solto, não sabemos sob qual pretexto, em Julho seguinte, meteu na cadeia da comarca o Manuel Isidro, sem culpa formada, mas tão só com o propósito de o picar, esperando que ele reagisse e, por qualquer via, faltar ao respeito à autoridade. Parece que chegou mesmo a arrastá-lo pelo chão da cadeia. Porém, Manuel Isidro vestiu-se de paciência e tudo suportou, preferindo guardar suas queixas para apresentar depois ao corregedor da comarca.



 interrogatorio_santo_oficio

Texto da autoria de Maria Fernanda Guimarães e António Júlio Andrade.
 
Sessão de interrogatório da Inquisição
(Fonte: História das Inquisições de Francisco Bethencourt)

Via: "torredemoncorvoinblog"


Assim disse ele...







"Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia o pai, servia a ela,
e a ela só por prémio pretendia."





Luís Vaz de Camões


domingo, 18 de dezembro de 2011

Na Síria, o banho de sangue continua...

 
 
 

 

 

 

A revolta na Síria já causou mais de 5000 mortos. Na Europa, e em particular em Portugal, não houve até agora uma única acampada em frente à embaixada, não se ouviu um clamor, não se viu uma passeata, não se sentiu uma pequena indignação. Nada.  Há até jornais que vão ao ponto de enaltecer o governo sírio povo sírio por estar unido em defesa da independência e da soberania nacionais.

 
Escusado será dizer que se fosse noutra terra, mais a Sul, bastariam 5 mortos ou até uma criança ferida por um determinado exército para a gritaria ser total.

 
 

Fonte: "Lisboa-Telaviv"
 
Portugal poderia ter feito mais pelos judeus de origem portuguesa




Chegaram à Península Ibérica muito, muito tempo antes de Portugal nascer, ainda no século I, quando a Lusitânia fazia parte do Império Romano. Conheceram os reinos cristãos anteriores à invasão muçulmana, foram protegidos pelos primeiros reis de Portugal até ao édito de expulsão, foram perseguidos como cristãos-novos, primeiro no continente, depois no Brasil ou na Índia conforme o longo braço da Inquisição lá foi chegando, começaram a regressar no século XIX mas nunca voltaram a ser uma minoria importante.
Carsten L. Wilke, doutorado em Estudos Judaicos pela Universidade de Colónia, Alemanha, e investigador no Instituto Steinheim de História Judaica Alemã, em Duisburg, aceitou o desafio de condensar em apenas 250 páginas destinadas ao grande público a história dos judeus portugueses. Uma história que o autor considera bem estudada, sendo numerosos os trabalhos académicos, e claramente autónoma da dos outros judeus da Península Ibérica, uma história que, no entanto, é mal conhecida pelos não especialistas num país onde raramente os livros escolares lhe dedicam mais do que rápidas - e escassas - referências.
O que começou por fasciná-lo na história dos judeus portugueses foi o facto de estes gozarem de um estatuto de protecção muito superior ao tinham noutros países na Idade Média. Porquê esse estatuto excepcional?
A protecção excepcional de que beneficiaram os judeus portugueses deriva do poder muito maior que tinham os reis em Portugal. As condições da reconquista criaram, até pela fuga de parte da população muçulmana, condições especiais para que os reis e os aristocratas protegessem os judeus contra as aspirações da Igreja e o preconceito popular. A Casa Real também utilizou os judeus como instrumento de centralização de poder.
Nessa relação não terá também tido influência não termos vivido um regime medieval clássico, de os reis, para dominarem o território, terem outorgado cartas de foro a muitas povoações dando-lhes grande autonomia?
Os judeus nessa época não viviam apenas nas cidades, não eram só comerciantes. A distribuição das suas populações era dispersa durante toda a Idade Média. Em Portugal sabemos que estavam muito presentes nas zonas rurais do interior, de Castelo Branco a Bragança. Para além disso, utilizaram os judeus para povoarem as zonas que iam conquistando aos mouros...
Recentemente um estudo genético mostrou uma forte presença de genes mais frequentes entre judeus nas populações do sul da Península, Portugal incluído...
Li vários artigos sobre esse estudo que me surpreendeu muito. Por um lado temos toda a pesquisa documental, que apontava num sentido, e depois esse estudo genético que aponta numa direcção diferente. A documentação apontava para Trás-os-Montes, para a Beira Interior, e agora os traços dos genes apontam para sul. A sede, por assim dizer, do cripto-judaísmo português sempre foi Bragança. Temos de investigar mais, mas a presença mais forte de genes a sul poderá mostrar que a mistura foi mais forte a Norte do que a Sul.
Os primeiros sinais da presença judaica em Portugal datam do ano 69 DC, por altura da segunda destruição do Segundo Templo, agora pelos romanos. Aqui viveram ainda com o Império, depois viveram nos múltiplos reinos cristãos que se formaram, por fim sob a dominação árabe. Foi no período do Al Andaluz que viveram melhor?
A situação dos judeus conheceu uma enorme melhoria com a invasão muçulmana. Antes era frequente os reinos cristãos tentarem converter os judeus ao cristianismo pela força: ou se convertiam ou eram expulsos. Muitos viam-se obrigados a prosseguir os seus ritos clandestinamente e se eram descobertos faziam deles escravos. Não custa a crer que essas comunidades judaicas tenham apoiado a tomada do poder pelos muçulmanos. Ao mesmo tempo, os muçulmanos perceberam que os judeus podiam ser-lhes úteis para controlarem um território onde as populações cristãs eram mais numerosas do que as islamizadas.
Mas essa benevolência não durou sempre...
Não. Houve períodos em que a Península esteve dividida em vários reinos rivais, houve uma nova invasão vinda do Norte de África e com ela vieram dirigentes islâmicos mais fanáticos que, também eles, queriam converter tantos os judeus como os cristãos ao islamismo. Isso sucedeu por volta do no século XII, época em que os judeus voltaram a ser melhor acolhidos nas áreas cristãs da Península e migraram de sul para norte.
Esse período coincide com a criação do Reino de Portugal, com a tomada de Lisboa. O que se sabe sobre os judeus que aqui viviam?
Infelizmente muito pouco, pois investigou-se mais o que se passava em Granada ou em Córdova. Nunca se colocou a questão de saber qual a diferença na área de Portugal. Há um documento interessante que mostra que a autoridade máxima judaica na Lusitânia tinha, na época muçulmana, um poder como não existia em nenhuma outra comunidade. Podia realizar julgamentos, determinar penas, condenar à morte. Dir-se-ia que o extremo ocidental da Península, e da Europa, era o "wild west": havia pouca autoridade mas havia homens poderosos. Isto também ajuda a explicar a protecção que os primeiros reis de Portugal deram aos judeus. No fundo tiraram partido de uma elite mais culta e com algum poder que os podia servir.
O que sucede é que a mudança de atitude dos reis portugueses vai ter lugar nos séculos XV e XVI, que são os dois séculos de glória de Portugal. Um dos primeiros reis a perseguir os judeus é D. João II, para os portugueses O Príncipe Perfeito.
Exacto, quando o seu pai, Afonso V, foi o rei que se destacou na protecção dos judeus.
D. João II foi o rei das grandes expedições. Onde estavam os judeus no seu tempo?
Financiavam os investimentos necessários. E muitos eram os estudiosos, os sábios, os que apoiaram com estudos, levantamentos e mapas essa epopeia.
Porquê então a mudança de atitude?
Temos de perceber o que era o Portugal de então para os judeus no quadro de uma Europa que, no século XV, foi terrível para esta minoria, que era perseguida por todo o lado. Muitos dos judeus fugidos foram acolhidos em Portugal por D. Afonso V, boa parte deles vindos de Espanha que os expulsou muito antes de nós. Nessa época só dois estados aceitavam os judeus que estavam a ser expulsos de todo o lado: Portugal e a Polónia. D. João II continuou a receber os judeus como o pai, mesmo sendo menos hospitaleiro, pois a sua principal preocupação era consolidar o seu poder pessoal contra os poderosos do reino e as diferentes elites. O que por vezes influencia a sua imagem negativa junto dos judeus foi ter enfrentado a Casa de Bragança, aliada dos judeus, o que indignou Issac Abravanel cujos escritos influenciaram a imagem negativa, na historiografia judaica, de D. João II. Mesmo assim é verdade que, nesse reinado, o estatuto dos judeus se degradou, mas nada que pudesse anunciar, ou mesmo fazer prever, o que viria depois.
D. Manuel, que lhe sucede, tem um comportamento diferente dos Reis Católicos: não força a expulsão, antes permite a permanência dos judeus desde que se convertam ao cristianismo. À primeira vista parece uma atitude mais humana, mas muitos pensam hoje que foi muito mais cruel...
Sem dúvida. Do ponto de vista da história do judaísmo foi mais cruel, muito mais duro, aquilo que Portugal fez. D. Manuel tinha muito mais necessidade de manter a comunidade judaica do que os Reis Católicos, e por isso tentou evitar que ela se exilasse. Há séculos que as finanças da coroa eram administradas por judeus, reinado após reinado eles eram como que os ministros das Finanças. A tensão que se criou com Espanha foi que os Reis Católicos não podiam tolerar uma presença tão forte dos judeus em Portugal e D. Manuel sabia que não podia haver expansão portuguesa sem estar em paz com os seus vizinhos. Daí que tentou a quadratura do círculo: ficar com os judeus conseguindo que eles se convertessem. Fê-lo por interesse, se bem que tivesse começado a surgir em Portugal uma classe que queria competir com os judeus no comércio internacional, gente que não aceitava o monopólio dos judeus.
Para os judeus a conversão forçada foi então pior do que a expulsão?
Claro. Para os religiosos, era intolerável aceitar uma religião estrangeira. Para os comerciantes e para elite era a catástrofe. Lisboa era o centro do mundo, o lugar central da mudança da economia mundial. Se pensarmos que tinha sido aos judeus que D. Manuel dera a possibilidade de gerir os negócios coloniais, a sua expulsão ou conversão forçada resultaria sempre em catástrofe. Viveram um dilema terrível: não podiam sair, porque o rei impedia-os, e não podiam senão praticar o judaísmo clandestinamente. Eram judeus em casa, cristãos na rua. Pior: D. Manuel procurou integrar os cristãos novos e permitiu que continuassem a negociar e prosperar, tendo até benefícios da coroa. O horror estava nas conversões forçadas, sobretudo das crianças arrancadas aos pais e, mais tarde, na ferocidade da Inquisição. É nessa altura que os judeus que podem fugir começam a fazê-lo.
E o que se passou nas colónias? Os judeus, ou os cristãos-novos, desempenharam um papel central na florescente economia do Brasil antes de a Inquisição lá ter chegado.
Houve vários motivos para que a civilização cripto-judaica tenha podido sobreviver mais tempo no Brasil. Por um lado, o território era vastíssimo. Por outro lado, a coroa preferiu, durante muito tempo, manter o Brasil na dependência de Lisboa e isso teve como consequência que a Inquisição não pôde instalar um tribunal próprio na grande colónia. Finalmente é bom recordar que muitos dos judeus fugidos de Lisboa se instalaram nos Países Baixos e que estes também chegaram a ocupar partes do Brasil. Os laços entre essas duas comunidades que se conheciam permitiram um desenvolvimento do comércio que teria sido impossível noutras circunstâncias.
Tudo muda quando a Inquisição chega ao Brasil?
Sim. Isso passa-se no início do século XVIII, quando se instala no Rio de Janeiro. É nessa altura que centenas de brasileiros, acusados de cripto-judaísmo, são perseguidos, condenados e mortos. A historiografia estabelece de forma clara que essas perseguições estão ligadas ao declínio da prosperidade do Brasil, na época mais rico do que as colónias inglesas que dariam origem aos Estados Unidos. Mas isso só se tornaria claro no século XIX, graças ao desenvolvimento do capitalismo e das instituições democráticas nos novos Estados Unidos.
Pensadores portugueses como Antero de Quental pensam que existe um antes e um depois da presença judaica e associam a decadência ibérica à expulsão dos judeus da Península. É verdade?
Temos de distinguir entre judeus e cristãos-novos. Na verdade é uma tese antiga mas que tem um problema: o auge do poder de Espanha e de Portugal ocorre depois da expulsão dos judeus, no século XVI...
Mas ficaram os cristãos-novos, os cripto-judeus...
Exacto. É por isso que temos de ver o que se passou com a Inquisição, sobretudo porque esses cripto-judeus formavam boa parte não só da burguesia mercantil mas também eram artesãos e muitos deles integravam a elite intelectual do país. Com a Inquisição essa camada da população empobrece e os comerciantes são substituídos por estrangeiros, ingleses e franceses. Gradualmente, sobretudo no século XVII, Portugal foi ficando dependente do estrangeiro devido à acção da Inquisição. É neste quadro, que cruza os séculos XVI e XVII, que se pode dizer que a Inquisição enfraqueceu Portugal ao destruir uma parte importante, senão fundamental, da sua elite mercantil e intelectual.

Imagem gentilmente cedida pela Câmara Municipal de Trancoso. Julho de 2010.


O poder real não interveio porquê? Interessava-lhe? Não podia?
contraditórias e levou a soluções de compromisso economicamente insatisfatórias. Isto mesmo tendo podido contar com o apoio dos Jesuítas que, no século XVII, queriam limitar o poder do Santo Ofício e, em Portugal, tiveram uma voz tão distinta como a do Padre António Vieira. Nas colónias, por exemplo, os jesuítas procuraram proteger os cristãos-novos porque perceberam que eram muito importantes para o desenvolvimento das colónias, em especial no Brasil. O conflito foi longo, durou várias décadas após a Restauração de 1640, mas a vitória acabou por ser a das forças mais conservadoras.
Os judeus começaram a regressar a Portugal no início do século XIX, formando comunidades pequenas, as primeiras em Lisboa e nos Açores, só que isso sucede quando na Europa estava a surgir um novo tipo de anti-semitismo, baseado na raça. Como explica?
O liberalismo em Portugal entrou de forma lenta e incompleta e, até ao fim da Monarquia Constitucional, a única religião aceite continuou a ser o catolicismo. A prática do judaísmo era, contudo, permitida aos estrangeiros e começou logo após as invasões francesas, altura em que já havia uma pequena sinagoga em Lisboa, algo impensável em Espanha. Eram grupos pequenos, sobretudo de comerciantes e ligados a negócios com o Reino Unido. Quando, por fim, depois da revolução do 5 de Outubro, o judaísmo foi reconhecido como religião de corpo inteiro, Portugal já se transformara num país de emigrantes, num país pobre que dificilmente poderia atrair grandes comunidades estrangeiras.

Imagem gentilmente cedida pela Câmara Municipal de Trancoso. Julho de 2010.

Contudo teria sido possível que os judeus que tinham saído de Portugal, que até tinham mantido as tradições e a língua, regressassem ao país dos seus antepassados. Não o fizeram, mesmo quando a ameaça nazi se foi tornando cada vez mais clara. Porquê?
Historicamente Portugal teria podido proteger muitos dos judeus de origem portuguesa, mas não o fez. Paradoxalmente isso não se passou em Espanha, onde no final do século XIX houve um movimento de redescoberta dos judeus sefarditas do exílio que funcionaram como "embaixadores" do país na diáspora. Talvez isso tivesse sucedido por a Espanha ter sofrido, em 1898, o choque do fim do Império e Portugal não... Mesmo assim Portugal, quando Hitler já estava no poder, teria podido salvar milhares de judeus descendentes dos que tinham partido séculos antes, mas Salazar nada fez e as comunidades que existiam em Bordéus, em Amesterdão ou em Salónica, por exemplo, foram completamente destruídas.
Quando os judeus são expulsos de Portugal também ainda vivia cá uma significativa comunidade muçulmana. O que é que lhe aconteceu?
O édito não visava apenas os judeus, também obrigava os muçulmanos a partirem. Contudo essa comunidade não só era muito mais pequena como, do ponto de vista económico e cultural, tinha muito menos influência. As consequências da sua saída seriam sempre menos importantes. Para além de que, como escreveu Damião de Góis, houve sempre uma grande diferença no tratamento dos judeus e dos muçulmanos porque estes tinham estados poderosos que poderiam defendê-los. Os judeus é que não tinham quem os defendesse.
Por outro lado, nas zonas rurais, era comum os muçulmanos converterem-se ao cristianismo, e os cristãos ao Islão, conforme o poder do momento. Já os judeus, habituados a viver em minoria, resistiam mais a mudar de religião. Isso vê-se bem nos autos da Inquisição, onde também os casos de cripto-islamismo são muito menos numerosos do que os processos por cripto-judaismo.




Judiaria da Guarda


de Carsten L. Wilke


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Faleceu a "Rainha da Morna"







Cesária Évora
1941-2011



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Shabat Shalom







Famílias de cristãos-novos da ilha da Madeira





É conhecida a importância dos judeus portugueses na colonização dos Açores e da Madeira desde a segunda metade do século XV.
Estes não só contribuíram para o avanço tecnológico que viabilizou a navegação dos mares, como foram eles os senhores dos engenhos da cana do açúcar, e os responsáveis pelo incremento do comércio local e das rotas com África.
Após 1496 muitos partiram, os que ficaram mudaram os nomes e seus costumes para evitarem serem presos. Mas isso não bastou.
 
Eis algumas das famílias de cristãos-novos da Madeira, processadas pelo Tribunal do Santo Ofício na Inquisição de Lisboa:

Vogado, Pereira, Mendes, Fidalgo, Dias , Tenório, Peres, Dias, Correia, Fernandes, Brites Pinheira, Dias, Ribeiro, Pereira, Lopes, Gonçalves, Lino, Rodrigues, Mendes, Jácome, Álvares, Gomes, Martins, Nunes, Ribeiro, Rodrigues Pintos, Nunes, Ribeira, Barroso, Henriques, Ornelas, Tomás, Nunes Baião, Brasia Pinto, Canto de Almeida, Tristão Ribeiro, Falcao, Garcia.
 
de Gisele Camacho Aznar

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Kibutz 






Kibutz significa (juntos), e deriva da palavra Kvutzá (grupo)




Os kibutzim (plural de kibutz), tiveram como base ideológica o socialismo e o sionismo, o retorno à terra de Israel, e o viver uma vida de partilha e igualdade entre os seus membros.
Embora durante quase todo o século XX as actividades principais tivessem sido a agricultura e a indústria, hoje, os kibutzim se reformularam, e nas comunidades espalhadas por todo o país, já quase todos os agrupamentos se viraram para o sector da hotelaria, abrindo as portas para o turismo nacional e estrangeiro.
A sua sobrevivência como estilo de vida único, parece estar garantido. 





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Passado e presente.











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QUATRO RABINOS DISCUTEM TEOLOGIA



Torah Debate


     
Quatro rabinos costumavam discutir teologia juntos e três estavam sempre de acordo contra o quarto. Um dia, depois de perder por três contra um uma vez mais, o rabino que ficava sempre excluído decidiu apelar a uma autoridade mais alta. 


    - Ó, Deus – exclamou. – No fundo, sei que estou certo e que eles estão errados! Por favor, dá-me um sinal para lhes provar que estou certo!
    Estava um dia lindo e soalheiro. No momento em que o rabino terminou a sua prece, uma nuvem de tempestade deslizou no céu por cima dos quatro rabinos. Ouviu-se um trovão e a nuvem dissolveu-se.
    - Um sinal de Deus! Estão a ver, eu tenho razão, eu sabia!
    Mas os outros três discordaram e referiram que é frequente formarem-se nuvens em dias quentes.
    Assim, o rabino rezou de novo.
    - Ó, Deus, preciso de um sinal maior para mostrar que tenho razão e eles estão errados. Por isso, por favor, Deus, dá-me um sinal maior!
    Desta vez surgiram quatro nuvens de tempestade que se juntaram para formar uma grande nuvem, e um raio atingiu uma árvore numa encosta próxima.
    - Eu disse-vos que tinha razão! – exclamou o rabino, mas os amigos insistiram que não tinha acontecido nada que não pudesse ser explicado por causas naturais.
    O rabino estava a preparar-se para pedir um sinal muito, muito grande, mas no momento em que disse «Ó Deus…», o céu ficou completamente preto, a terra tremeu e uma voz profunda e tonitruante disse:

    - EEEELLLLEEE TEEEMM RAAAAAZÃO !

    O rabino colocou as mãos nas ancas, voltou-se para os outros três e disse:
    - Então?
    - Então – disse um dos rabinos, encolhendo os ombros -, agora são três contra dois.



(Enviado pela Sónia Craveiro)